
O
abismo do medo é um filme de terror muito bem conduzido, apesar não haver
nenhuma grande atuação, ou um roteiro muito bem elaborado. Usando muito bem de
sua própria locação e dos efeitos sonoros, assim como de uma montagem que
produz tensão; o filme consegue causar medo e nos aproximar de personagens que
não conseguem ser tão bem exploradas. Narrando a história de Sarah, um ano
depois de perder seu marido em um acidente, se reúne com suas amigas para uma
aventura costumeira, em que são guiadas por Juno para uma caverna.
O diretor apresenta uma interessante
premissa sem precisar de diálogo algum. Logo de início, fica explícito que as
aventuras radicais fazem parte dos hobbies desse grupo de amigas, pois estão
praticando canoagem em um rio levemente violento. Com algumas trocas de olhares
antes do acidente e algumas expressões faciais após a descoberta da morte do
marido de Sarah, o diretor cria uma possível faísca de dúvida. Existe uma troca
de olhar entre Juno e o marido de Sarah. Esta premissa paira sobre o filme
inteiro, sem nunca realmente se revelar, porém já produz tensão só pela maneira
que foi introduzida, como subtexto. Outra proposta louvável é um elenco formado
apenas por mulheres, pode, a princípio, ser uma forma de tornar as mulheres
mais protagonistas dos filmes, porém, no terror é muito comum se ter mulheres
protagonistas. Podendo até mesmo fazer refletir sobre o machismo presente na
produção destes filmes, parece até mesmo que existe um gozo em ver uma mulher
sofrer. Ao mesmo tempo, é um dos poucos gêneros que a predominância de gosto
seja pelas mulheres, não porque elas gostam de ver outras mulheres sofrerem e
sim, talvez, por conta da representatividade existente neste gênero
cinematográfico. É algo apenas para se pensar.
Voltando ao que concerne à narrativa
fílmica, o diretor usa dos pequenos espaços das cavernas, como pequenas
passagens e grutas, posicionando muitas vezes a câmera de baixo para cima o que
tornas as personagens maiores e o ambiente menor. Claustrofobia é a única
sensação que é possível sentir em grande parte do filme, quando o filme se
revela como um horror o medo, o sangue e o desespero se alastram. As mortes e
estratégias das personagens são muito bem elaboradas, recheadas de tensão e
susto. Uma pena que grande parte das personagens acabem não sendo tão bem
exploradas pelo roteiro em prol da violência. Pois com o passar do tempo a
tensão começa a diminuir e a violência se faz como primeira, o sangue é o
principal. As únicas personagens que ganham algo próximo de um desenvolvimento
são Sarah e Juno, enquanto a primeira, começa a desenvolver um surto
alucinógeno, a outra nunca consegue expressar em palavras seus erros e muitos
menos se explicar. O uso de luz e da câmera subjetiva conseguem ajudar ao filme
não perder o seu tom, pois produzem muita tensão, a escuridão das cavernas,
também, é muito bem usada, essas conjunções produzem um relevo ao filme, o
tornam mais palpável.
Ainda existem certas teorias sobre
como as aparições no subterrâneo faziam parte de uma ilusão da personagem.
Muito por conta de pequenos detalhes na composição da última cena. São teorias
com embasamento nas imagens expostas nos filmes e, claro, bastante
interpretação, o que não quer dizer que são inválidas, porém não tornam o filme
nem melhor, nem pior.
Por fim, pode-se dizer que O Abismo
do Medo é um filme que produz muita tensão e angústia, ainda mais para aqueles
que tem claustrofobia, podendo acrescentar até mesmo o medo do escuro. Sendo
violento e bem conduzido, se revelando como um filme de terror como poucos dos
últimos anos.
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