domingo, 24 de setembro de 2017

2005 – O Abismo do Medo (Neil Marshall, EUA) ***1/2 (3.5)

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O abismo do medo é um filme de terror muito bem conduzido, apesar não haver nenhuma grande atuação, ou um roteiro muito bem elaborado. Usando muito bem de sua própria locação e dos efeitos sonoros, assim como de uma montagem que produz tensão; o filme consegue causar medo e nos aproximar de personagens que não conseguem ser tão bem exploradas. Narrando a história de Sarah, um ano depois de perder seu marido em um acidente, se reúne com suas amigas para uma aventura costumeira, em que são guiadas por Juno para uma caverna.
            
O diretor apresenta uma interessante premissa sem precisar de diálogo algum. Logo de início, fica explícito que as aventuras radicais fazem parte dos hobbies desse grupo de amigas, pois estão praticando canoagem em um rio levemente violento. Com algumas trocas de olhares antes do acidente e algumas expressões faciais após a descoberta da morte do marido de Sarah, o diretor cria uma possível faísca de dúvida. Existe uma troca de olhar entre Juno e o marido de Sarah. Esta premissa paira sobre o filme inteiro, sem nunca realmente se revelar, porém já produz tensão só pela maneira que foi introduzida, como subtexto. Outra proposta louvável é um elenco formado apenas por mulheres, pode, a princípio, ser uma forma de tornar as mulheres mais protagonistas dos filmes, porém, no terror é muito comum se ter mulheres protagonistas. Podendo até mesmo fazer refletir sobre o machismo presente na produção destes filmes, parece até mesmo que existe um gozo em ver uma mulher sofrer. Ao mesmo tempo, é um dos poucos gêneros que a predominância de gosto seja pelas mulheres, não porque elas gostam de ver outras mulheres sofrerem e sim, talvez, por conta da representatividade existente neste gênero cinematográfico. É algo apenas para se pensar.
            
Voltando ao que concerne à narrativa fílmica, o diretor usa dos pequenos espaços das cavernas, como pequenas passagens e grutas, posicionando muitas vezes a câmera de baixo para cima o que tornas as personagens maiores e o ambiente menor. Claustrofobia é a única sensação que é possível sentir em grande parte do filme, quando o filme se revela como um horror o medo, o sangue e o desespero se alastram. As mortes e estratégias das personagens são muito bem elaboradas, recheadas de tensão e susto. Uma pena que grande parte das personagens acabem não sendo tão bem exploradas pelo roteiro em prol da violência. Pois com o passar do tempo a tensão começa a diminuir e a violência se faz como primeira, o sangue é o principal. As únicas personagens que ganham algo próximo de um desenvolvimento são Sarah e Juno, enquanto a primeira, começa a desenvolver um surto alucinógeno, a outra nunca consegue expressar em palavras seus erros e muitos menos se explicar. O uso de luz e da câmera subjetiva conseguem ajudar ao filme não perder o seu tom, pois produzem muita tensão, a escuridão das cavernas, também, é muito bem usada, essas conjunções produzem um relevo ao filme, o tornam mais palpável.
            
Ainda existem certas teorias sobre como as aparições no subterrâneo faziam parte de uma ilusão da personagem. Muito por conta de pequenos detalhes na composição da última cena. São teorias com embasamento nas imagens expostas nos filmes e, claro, bastante interpretação, o que não quer dizer que são inválidas, porém não tornam o filme nem melhor, nem pior.
            
Por fim, pode-se dizer que O Abismo do Medo é um filme que produz muita tensão e angústia, ainda mais para aqueles que tem claustrofobia, podendo acrescentar até mesmo o medo do escuro. Sendo violento e bem conduzido, se revelando como um filme de terror como poucos dos últimos anos. 

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