
Depois de anos, um dos
maiores, se não o maior, personagem da Marvel retorna para as mãos da mesma no
cinema. Com todo fervor sobre o personagem, não poderia ser diferente, uma
produção muito mais focada em si do que com a grande narrativa que corre por
fora, sem pressa alguma, conseguindo explorar bem o universo do Homem-Aranha.
Conseguindo, até mesmo, seguir por caminhos diferentes dos filmes anteriores.
O filme se inicia com uma imersão na cultura jovem da
atualidade, por mais que faça total referência à cultura oitentista de John
Hughes, Peter Parker produz uma espécie de vlog, com sua estética padrão,
aspecto de celular e qualidade reduzida, trazendo extrema espontaneidade. Tom
Holland se encontrou neste papel, o mais jovem dos que já vestiram o manto do
herói, assim como, o mais cômico, conseguindo ser a expressão perfeita do jovem
desajeitado e inteligente do ensino médio. Watts optou por não ficar
relembrando como uma fita quebrada todo o surgimento dos poderes de seu
personagem, nem sobre a morte do Tio Ben, já vista diversas vezes, com bordões
e emoções sempre repetidas nos filmes. Toda a ambientação se moderniza, seja
pela sua tia ser mais jovem que o habitual, a não aparição de Mary Jane como
seu par romântico, ou ainda, o Flash, o garoto que costuma realizar o bullying
no protagonista, não só é inteligente como também foge dos estereótipos físicos
do bully.
Mas se o longa parece ser extremamente focado em sua
construção própria, ele consegue ainda mais ser orgânico ao universo já criado
pela Marvel nos cinemas. As breves aparições cômicas do Tony Stark ajudam a
construir essa sensação, bem como, a roupa de Peter Parker ser extremamente
tecnológica, o que faz mais sentido para o mundo que vivem. Grande parte das
piadas são produzidas em conjunção a esta mudança de característica de sua
roupa, como a tentativa de usar o modo interrogatório, que se torna uma hilária
paródia (talvez indireta) do Batman. Dessa forma, construído um universo seu,
muito próprio, intricado com todos os seus pequenos núcleos escolares, ao passo
que o envolvimento do herói e do universo geral se faz de maneira tão boa
quanto. Com simplicidade e senso de humor, o Homem-Aranha aprende a usar seus
poderes, seu uniforme e como lidar com toda a responsabilidade de ser quem ele
gostaria, a todo momento tentando se provar, a princípio, com coisas pequenas,
como uma senhora perdida ou um falso assalto. Quando se envolve com O Abutre é
que sua jornada heroica começa de fato.
Micahel Keaton constrói um personagem forte, quase
irônico com a sua anterior passagem por Birdman, e completamente crível,
fugindo de toda megalomania de alguns vilões do universo Marvel. É importante
ressaltar como o personagem está bem inserido no universo e como todos os
acontecimentos anteriores se fazem presentes e influenciam as narrativas de
cada filme. Sem contar as supressas que o personagem traz próximo ao fim do
longa, sendo o perfeito primeiro grande vilão para o Homem-Aranha. Tendo em
vista, essa coesão entre o foco em si e a forte conexão com o universo cinematográfico
no qual se insere, esta Volta Para Casa do personagem se tornou ainda mais
potente. Existe um problema apenas na produção nas cenas de ação, já que estas
ocorrem em alta altitude, limitando as mesmas e trazendo uma montagem que
atrapalha a sensação de confronto e até mesmo do entendimento da luta.
Dessa forma, este novo filme do Homem-Aranha acaba por
ser um dos filmes mais coesos de toda o universo Marvel, por mais que falhe em
suas explosivas cenas de ação. Conseguindo trazer um elenco inteiro em
sintonia, trabalhando muito bem a juventude no personagem, principalmente uma
juventude moderna. Atentando-se ao próprio desenrolar da narrativa e não se
apressando para criar respostas, como na cena pós-credito que o Capitão América
deixa uma mensagem de ouro para os espectadores: “a paciência é uma virtude”.
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