terça-feira, 31 de outubro de 2017

2017 – Homem-Aranha: De Volta ao Lar (John Watts, EUA) **** (4)

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Depois de anos, um dos maiores, se não o maior, personagem da Marvel retorna para as mãos da mesma no cinema. Com todo fervor sobre o personagem, não poderia ser diferente, uma produção muito mais focada em si do que com a grande narrativa que corre por fora, sem pressa alguma, conseguindo explorar bem o universo do Homem-Aranha. Conseguindo, até mesmo, seguir por caminhos diferentes dos filmes anteriores.
            
O filme se inicia com uma imersão na cultura jovem da atualidade, por mais que faça total referência à cultura oitentista de John Hughes, Peter Parker produz uma espécie de vlog, com sua estética padrão, aspecto de celular e qualidade reduzida, trazendo extrema espontaneidade. Tom Holland se encontrou neste papel, o mais jovem dos que já vestiram o manto do herói, assim como, o mais cômico, conseguindo ser a expressão perfeita do jovem desajeitado e inteligente do ensino médio. Watts optou por não ficar relembrando como uma fita quebrada todo o surgimento dos poderes de seu personagem, nem sobre a morte do Tio Ben, já vista diversas vezes, com bordões e emoções sempre repetidas nos filmes. Toda a ambientação se moderniza, seja pela sua tia ser mais jovem que o habitual, a não aparição de Mary Jane como seu par romântico, ou ainda, o Flash, o garoto que costuma realizar o bullying no protagonista, não só é inteligente como também foge dos estereótipos físicos do bully.
            
Mas se o longa parece ser extremamente focado em sua construção própria, ele consegue ainda mais ser orgânico ao universo já criado pela Marvel nos cinemas. As breves aparições cômicas do Tony Stark ajudam a construir essa sensação, bem como, a roupa de Peter Parker ser extremamente tecnológica, o que faz mais sentido para o mundo que vivem. Grande parte das piadas são produzidas em conjunção a esta mudança de característica de sua roupa, como a tentativa de usar o modo interrogatório, que se torna uma hilária paródia (talvez indireta) do Batman. Dessa forma, construído um universo seu, muito próprio, intricado com todos os seus pequenos núcleos escolares, ao passo que o envolvimento do herói e do universo geral se faz de maneira tão boa quanto. Com simplicidade e senso de humor, o Homem-Aranha aprende a usar seus poderes, seu uniforme e como lidar com toda a responsabilidade de ser quem ele gostaria, a todo momento tentando se provar, a princípio, com coisas pequenas, como uma senhora perdida ou um falso assalto. Quando se envolve com O Abutre é que sua jornada heroica começa de fato.
            
Micahel Keaton constrói um personagem forte, quase irônico com a sua anterior passagem por Birdman, e completamente crível, fugindo de toda megalomania de alguns vilões do universo Marvel. É importante ressaltar como o personagem está bem inserido no universo e como todos os acontecimentos anteriores se fazem presentes e influenciam as narrativas de cada filme. Sem contar as supressas que o personagem traz próximo ao fim do longa, sendo o perfeito primeiro grande vilão para o Homem-Aranha. Tendo em vista, essa coesão entre o foco em si e a forte conexão com o universo cinematográfico no qual se insere, esta Volta Para Casa do personagem se tornou ainda mais potente. Existe um problema apenas na produção nas cenas de ação, já que estas ocorrem em alta altitude, limitando as mesmas e trazendo uma montagem que atrapalha a sensação de confronto e até mesmo do entendimento da luta.
            
Dessa forma, este novo filme do Homem-Aranha acaba por ser um dos filmes mais coesos de toda o universo Marvel, por mais que falhe em suas explosivas cenas de ação. Conseguindo trazer um elenco inteiro em sintonia, trabalhando muito bem a juventude no personagem, principalmente uma juventude moderna. Atentando-se ao próprio desenrolar da narrativa e não se apressando para criar respostas, como na cena pós-credito que o Capitão América deixa uma mensagem de ouro para os espectadores:  “a paciência é uma virtude”. 

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