terça-feira, 16 de maio de 2017

2016 – Jason Bourne (Paul Greengrass, EUA) *** (3)

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O mais novo filme do espião sem memória parece não saber que história quer contar. Apesar de perceber aqui ainda mais potencial nas cenas de ações produzidas por Paul Greengrass, parece que o roteiro foi pouco pensando, não se justificando de verdade qual motivo de uma continuação. Bourne se encontra na Grécia, aparentemente apenas vivendo (mas à maneira dele), Nicky Parsons ainda faz pesquisas sobre a CIA e descobre mais coisas sobre Treadstone, informações que os levam ao pai de Jason Bourne, ou melhor David Webb.
            
Tentando utilizar da mesma premissa de memórias afetadas, que aos poucos, por conta de uso frívolo e sem força, vai se tornando cada vez mais irritante. A narrativa conduz Bourne de volta à ação, construindo cenas primorosas sendo uma delas durante um protesto em Atenas, ao qual a montagem faz um trabalho fantástico de localização de personagens e organização de movimento; e posteriormente a cena de perseguição de carro em Las Vegas, que deu até um tom mais colorido ao filme, por conta da quantidade de luzes que a cidade emite. Não contente em explorar de maneira pouco crível mais uma memória do Bourne, o enredo ainda tenta introduzir ao filme nos novos modos de espionagem. Dez anos após o último filme, vemos Snowden sendo citado, um jogo de hacker e de controle muito maior. A personagem de Vikander, que trabalha para CIA, demonstra um grande conhecimento sobre tais mecanismos e os usa ao seu favor para caçar o protagonista, sua participação é ótima e muito bem desenvolvida. O contrário de Riz Ahmed, que é um líder de um novo servidor que daria mais controle à CIA, enquanto as pessoas supostamente estariam mais protegidas. Apesar de contextualizar politicamente, ele não explora de verdade o assunto, que apenas paira sobre o enredo, enquanto narra um arco sobre o pai de Bourne sendo desenvolvido de maneira desnecessária.
            
Dessa forma, temos um enredo frágil, que se movimenta com base de muitas coincidências para um único filme. A parte disso, mais uma vez Matt Damon se entrega ao personagem, conduzindo muito bem todo o enredo, por mais desinteressante que ele seja. Dessa forma, o que torna essa sequência um filme vivo, são o conjunto técnico com suas atuações, a montagem ao lado de bons atores que se esforçam.  Veja por exemplo, a cena em que Jason Bourne encontra com o assassino da CIA, interpretado por Vincent Cassel, a maneira que se enfrentam e dialogam é muito forte. Ou até mesmo a relação da personagem de Vikander com o líder da CIA, interpretado por Tommy Lee Jones, sendo a princípio genérico, para logo se desenvolver de maneira até mesmo ambígua e interessante. E por fim, o Greengrass que continua no seu estilo cada vez mais aprimorado de urgência da ação, seus zooms que intensificam os afetos, o foco que explora a percepção nas cenas de grande movimentação e a montagem rápida que deixar qualquer um sem fôlego.

            
Portanto, foi interessante rever Jason Bourne na atualidade, apesar do ponto de partida do enredo ser fraco. Perdendo a oportunidade, também, de explorar de maneira mais contundente a situação atual sobre privacidade e segurança na internet.  

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