
Uma Noiva Para Rip Van Winkle é um filme sobre solitários e, principalmente,
pessoas que não sabem bem o que fazer da própria vida. Narrando, em uma paleta
que mistura um branco vívido com um lilás opaco, a vida de Nanami, uma jovem
professora que por aplicativo de celular conhece um homem que viria a se tornar
seu marido de forma rápida e até apática, o que aos poucos começa a mudar o
curso se sua vida, de maneira completamente inesperada.
A protagonista chega a trabalhar para a agência em alguns
casamentos, fazendo uma amizade forte com Mashiro, as duas se tornam amigas
inseparáveis, e é interessante ver ela como uma faísca fulgida que anima todos
os espaços que entra. Ela que realmente ajuda a Nanami a deixar de ser Campanella
e se tornar Nanami, até pelo fato de ela já ter sido outra na internet, ela era
Rip Van Winkle. Nome ao qual é de uma lenda saxã sobre um homem que ficou
paralisado no tempo que só sabia se repetir. Consequentemente começando a
entender a proposta do roteiro e sua geniosa construção, unindo duas
personagens solitárias que estão lutando por suas identidades. E com um belo
desenvolvimento e final ainda mais forte, o filme conta uma história triste com
diversos momentos de felicidade.
Falando da estética, Iwai impõe um ritmo ao filme muito
agradável, que com suas três horas flui muito bem (existem duas versões, a do
cinema que tem duas horas e a do diretor ao qual estou comentando), enquadrando
os personagens com muita beleza, como se realmente estivesse apaixonado por
eles. Trazendo também uma disparidade forte entre as ruas de Tokyo com as casas
tão vazias de seus personagens, chega a ser assustador aquela multidão.
Particularmente gosto da maneira que movimenta a câmera pela cena, sem muitas
restrições, a câmera dificilmente fica estática, nos aproximando e nos
afastando das ações com o quadro, criando até mais afeto em alguns momentos
apenas com o movimento e o reenquadramento. É interessante também como constrói
símbolos poderosos quando relaciona seus personagens à animais marinhos, um
detalhe minucioso que traz tamanho significado a cada cena e a todo enredo. Infelizmente,
a trilha sonora é muito genérica, soando como uma música qualquer para as
cenas, que começam a se tornar plásticas demais por conta também do seu usual
tom ascético.
Rip Van Winkle encontra uma esposa, talvez tudo que
precisasse. Em uma narrativa singela cheia de peculiaridade, o filme se torna
uma bela experiência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário