O paradoxo do tempo, o eterno
retorno das problemáticas da viagem no tempo, expresso em um filme cíclico e
com boas atuações. Narrando a história de um agente temporal, que volta no
tempo para impedir um atentado terrorista. A estética do filme é interessante,
por trazer uma criação tecnológica para os anos 80, ou seja, não existe uma
estética futurista, tudo expressa uma época antiga, um Vintage dos ano 70 e 80.
Ethan Hawke é esse agente temporal que vai para um bar,
em que maior parte do filme se estende, num diálogo com John, um homem que
parece ressentido com toda sua vida. Ao sabermos da missão de Hawke para
capturar o terrorista, a sensação do diálogo, inicialmente, é de investigação.
Até que ganha um lado bem mais emotivo, quando o personagem de John resolve
contar a história de sua vida. Imerso em flashbacks, o papo de bar, acaba por
se tornar ainda mais interessante, indo a fundo em tudo que era importante para
John. Aos poucos percebemos a intenção do filme de nos mostrar a ideia de que o
tempo é inexorável e que as viagens no tempo só são possíveis na criação de
paradoxos assustadores, algo que tantos outros filmes já mostraram de maneira
muito interessante. A potência do filme é mostrar tudo isso de maneira sensível
e até dolorosa, relacionada a história de John, como um alguém qualquer que
sabe a resposta para algumas perguntas sobre a origem das coisas. “O que veio
primeiro, o ovo ou galinha?”, ele responde “O galo”, talvez essa convicção de
resposta seja uma característica de sua impossibilidade de enxergar que ele não
sabe o que veio primeiro, ele desconhece, pois num círculo não existe ponto de
partida.
Assim, quando nos é revelado a história de John em
relação ao personagem de Hawke, percebe-se o quanto o passado e o futuro
parecem compartilhar uma narrativa quase simultânea, ainda mais poderosa com
esse encontro num bar no presente. O filme acaba por se revelar demais em
alguns momentos, soando até mesmo óbvio em alguns pontos e repetitivo no seu
fim, mas não deixa de ser bom, já que a confusão existencial causada por esse
encontro é tão grande que ultrapassa qualquer obviedade. Se procurarmos uma
real coerência na história existe problemas com certeza, mas como a proposta do
filme é falar do galo, e não do ovo ou da galinha ele permanece interessante. A
Atuação de Sarah Snook fazendo seus dois papéis é sensacional, construindo
trejeitos e com um bom trabalho de maquiagem.
Portanto, O Predestinado é uma boa ficção cientifica, com
uma ideia completamente paradoxal que só funciona por se manter misteriosa e
intimista o tempo todo.

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