segunda-feira, 1 de maio de 2017

2014 – O Predestinado (Irmãos Spierig, Austrália & EUA) **** (4)

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O paradoxo do tempo, o eterno retorno das problemáticas da viagem no tempo, expresso em um filme cíclico e com boas atuações. Narrando a história de um agente temporal, que volta no tempo para impedir um atentado terrorista. A estética do filme é interessante, por trazer uma criação tecnológica para os anos 80, ou seja, não existe uma estética futurista, tudo expressa uma época antiga, um Vintage dos ano 70 e 80.
            
Ethan Hawke é esse agente temporal que vai para um bar, em que maior parte do filme se estende, num diálogo com John, um homem que parece ressentido com toda sua vida. Ao sabermos da missão de Hawke para capturar o terrorista, a sensação do diálogo, inicialmente, é de investigação. Até que ganha um lado bem mais emotivo, quando o personagem de John resolve contar a história de sua vida. Imerso em flashbacks, o papo de bar, acaba por se tornar ainda mais interessante, indo a fundo em tudo que era importante para John. Aos poucos percebemos a intenção do filme de nos mostrar a ideia de que o tempo é inexorável e que as viagens no tempo só são possíveis na criação de paradoxos assustadores, algo que tantos outros filmes já mostraram de maneira muito interessante. A potência do filme é mostrar tudo isso de maneira sensível e até dolorosa, relacionada a história de John, como um alguém qualquer que sabe a resposta para algumas perguntas sobre a origem das coisas. “O que veio primeiro, o ovo ou galinha?”, ele responde “O galo”, talvez essa convicção de resposta seja uma característica de sua impossibilidade de enxergar que ele não sabe o que veio primeiro, ele desconhece, pois num círculo não existe ponto de partida.
            
Assim, quando nos é revelado a história de John em relação ao personagem de Hawke, percebe-se o quanto o passado e o futuro parecem compartilhar uma narrativa quase simultânea, ainda mais poderosa com esse encontro num bar no presente. O filme acaba por se revelar demais em alguns momentos, soando até mesmo óbvio em alguns pontos e repetitivo no seu fim, mas não deixa de ser bom, já que a confusão existencial causada por esse encontro é tão grande que ultrapassa qualquer obviedade. Se procurarmos uma real coerência na história existe problemas com certeza, mas como a proposta do filme é falar do galo, e não do ovo ou da galinha ele permanece interessante. A Atuação de Sarah Snook fazendo seus dois papéis é sensacional, construindo trejeitos e com um bom trabalho de maquiagem.

Portanto, O Predestinado é uma boa ficção cientifica, com uma ideia completamente paradoxal que só funciona por se manter misteriosa e intimista o tempo todo. 

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