
O único filme que o nome do
personagem não é substituído pelo seu nome de herói e em tom de despedida, já
que é o último filme de Hugh Jackman como Logan (o famoso Wolverine). Optando
por uma estrutura de filme de estrada e sem a velocidade usual e abrupta de
muitos filmes de heróis, James Mangold constrói um ótimo filme. No ano de 2029,
Logan trabalha como chofer, já velho e com seus poderes falhando. Com
relutância ele foi contratado para levar uma menina para um abrigo, porém
existem muitas pessoas atrás dela.
A introdução que nos contextualiza no universo de Logan é
ótima, com uma alternância de planos de seu rosto enquanto dirige e de
diferentes passageiros que poucos se importam com o motorista que está ali. E
claro, percebemos sua velhice e cansaço quando um grupo de homens tenta roubar
seu carro, inclusive temos uma de suas garras emperrada. Outra nova
característica estética é sua violência que é completamente explícita, muito
sangue e desmembramentos. Então, somos apresentados ao Xavier, tendo convulsões
que resultam numa explosão mental em todos que estão ao seu redor e ao Caliban,
seu cuidador, que consegue farejar mutantes e não suporta nenhum tipo de luz.
Todos os atores estão em alto nível, em especial, Patrick Stewart conseguindo
ser, mesmo após 15 anos, o grande professor dos mutantes com a mesma leveza e
sabedoria. Hugh Jackman que está em sua melhor forma, sendo possível sentir
todo o peso dele em seu olhar e principalmente na sua expressão corporal. A
fotografia sempre se alimentado das luzes, até mesmo na escuridão , sendo a mais bonita
de toda a franquia também e em conjunto com a maquiagem transformam os
personagens em mais envelhecidos.
Logo, o enredo com a pequena e misteriosa Laura se
inicia, quando se descobre que ela é uma mutante foragida de uma organização. A
explicação do enredo acontece de maneira expositiva, por meio de um vídeo, que
estava mais para um documentário empacotado para explicar ao público tudo de
maneira simples, até porque o filme não perdeu tanto tempo com esses detalhes,
focando mais no desenvolvimento de seus personagens. Os supostos vilões do
filme são apenas recursos para o roteiro, nenhum deles consegue ser realmente
relevante, são como um plano de fundo. Outro plano de fundo, só que feito de
maneira mais interessante, é o cenário de fronteira entre os Estados Unidos e
México e as organizações oligárquicas modernas (no caso do filme levemente futuristas),
dando um contexto político relativo ao conservadorismo crescente dos EUA. Tanto
que a própria Laura é mexicana, como uma imigrante ilegal que precisa
atravessar toda essa jornada para conseguir um lugar para viver. Percebe-se um
cuidado também em conduzir a narrativa separado do universo extremamente
confuso dos X-Men no cinema, só citando alguns grandes momentos passados e
deixando outros em mistério. Existe também um real apreço à produção da arte
narrativa, mostrando sua influência na vida das pessoas, como maneira até mesmo
de ressignificar o real. Como a importância dos quadrinhos para a jornada dos
heróis e por fim o próprio cinema, no caso do filme, o Western “Os Brutos
Também Amam”, que em congruência aos quadrinhos criam o próprio filme Logan. O
fim do filme para qualquer uma que assistiu os filmes do X-Men é ainda mais
especial.
Dessa forma, Logan se tornou um dos melhores filmes de
heróis produzidos recentemente, finalizando uma era de uma das franquias mais
relevantes de todas, a princípio por seus comentários sociais e depois pelas
suas releituras históricas. Uma franquia que falhou em diversos momentos,
principalmente com os filmes do Wolverine, mas que sem restrições mostrou muito
do que se faltava. Um filme bonito, violento e poderoso. Um belo adeus de Hugh
Jackman ao personagem que o marcou e o definiu, após quase 15 anos.
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