
O novo filme que traz de volta
o universo de Harry Potter, mantém o bom nível da franquia, mas com um enredo
não tão imersivo quanto a história do bruxo e sua cicatriz profética. Contando
as aventuras de um mago pesquisador de criaturas exóticas, Newt Scamander, que
chega com um objetivo à Nova York. Por sinal, a recriação de época,
principalmente com as roupas e pequenas lojas são muito bem feitas, retratando
minuciosamente o estilo de vida da população americana durante a Lei Seca nos
EUA, quase como um nova ar para a série de filmes tão britânica.
Tendo Eddie Redmayne no papel principal, a princípio, soa
estranho com uma dificuldade tamanha de olhar para outros personagens,
parecendo que está sempre em outro estado mental, mas seu desenvolvimento comprova
seu olhar deslumbrado. Já a personagem de Katherine Waterson, Porpetina Goldsteine,
é uma detetive que acabou agindo de forma imprudente e por isso faz de tudo
para retomar seu posto. Logo de início, Scamander, ao chegar na cidade já
arruma confusão com suas criaturas, nunca vi pregador de mala tão frágil.
Brincadeiras à parte, J. K. Rowling foi muita criativa ao elaborar tais
criaturas, não só pela beleza delas, mas pelo seu lado cômico. Como o estranho
ornitorrinco que gosta de ouro e objetos de valor, o rinoceronte que libera
lava pelo chifre e assim por diante, todos os momentos em que elas são
apresentadas o filme ganha um tom mágico e de extrema diversão. Apesar de que
as criaturas não são os únicos enredos desse filme, obviamente, já que estamos
falando de uma franquia que se pretende a produção de mais filmes.
Por isso, ao iniciar o filme existe um bombardeio com
folhas de jornal exibindo o nome de Grinderlwald, um bruxo que utiliza das
forças das trevas. E logo, percebesse-se coisas extremamente estranhas na
cidade, como uma senhora que movimenta a população contra o que ela acredita
serem bruxos, assim como alimenta crianças pobres, apenas para entregarem seus
panfletos. Claro, que muitos não se importam com o que ela diz, mas alguns
outros personagens envolvidos com jornalismo se interessam, fato pouco
explorado para o enredo. Utilizando dessa relação de ódio entre castas para
desenvolver um enredo sobre repressão e juventude. Quando Scamander revela o
que é um Obscurus, está ali falando de um problema sério, sobre a repressão que
as pessoas sofrem por terem medo de serem aceitas, ou por já terem sido discriminadas.
Porém, aos poucos esse poderoso subtexto se perde para se compor a um enredo
maior que ainda está por vir, a resolução da história no final se torna, não só
óbvia, mas fácil demais.
Os outros personagens secundários são muito cômicos, como
Jacob Kawoski, um trouxa, ou melhor um não-maj (demonstrando as diferenças
entre os dois tipos de inglês), que se envolve pelo acaso com Scamander e se
torna um ótimo alívio cômico. Assim como Queenie, irmã da Popertina, podendo
ler mentes e sendo sempre adorável. Infelizmente, tanto os cenários mágicos
quanto as cenas de ação são bem menos poderosas quanto nos filmes anteriores,
parece que existe um uso excessivo de CGI que retira um pouco daquele relevo
que os filmes anteriores souberam construir tão bem, com as peculiaridades de
Hogwarts. As lutas não tem a mesma emoção, tudo parece mais mecânico, pouco
ouvimos os nomes dos feitiços, falta a intensidade que as sequência anteriores
davam. Mas é digno de reconhecimento o esforço para com o pensar nesse mundo
bruxo em outro país e ainda mais em outra época.
Dessa forma, Animais Fantástico é um filme interessante,
que seria melhor se não tivesse sido reduzido no seu fim a ser uma ponte para
Grindelwald e as sequências. Todos os filmes de Harry Potter pretendiam contar
uma história fechada, mas que fosse o suficientemente aberta para a sequência,
porém aqui vejo uma tentativa forçada demais de inserção na grande história para
esse recorte inicial. De qualquer forma, é sempre bom conhecer um pouco mais
sobre esse universo, que sempre entrega bons filmes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário