quarta-feira, 26 de abril de 2017

1956 – O Grande Golpe (Stanley Kubrick, EUA) ****1/2 (4.5)


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Terceiro filme dirigido pelo Kubrick ao qual foi também fotógrafo e editor, assim comandando todos os grandes aspectos da montagem. Mais um filme Noir, que se compara muito ao Cães de Aluguel de Tarantino, já que conta uma história em uma narrativa não linear sobre um assalto planejado por seis homens. Johnny Clay acabou de sair de prisão e precisa urgentemente de dinheiro, assim se organiza para roubar 2 milhões de dólares de um hipódromo, onde ocorrem apostas. Consegue ajuda de diversas pessoas que precisam do dinheiro, um lutador de boxe aposentado, um atirador de elite, um policial corrupto, um garçom do bar do próprio local e o vendedor de tickets.
            
Mais uma vez não se pode dizer que temos um enredo extremamente elaborado ou complexo, mas que sua narrativa cheia de pontos de vistas diferentes e incursões sobre o tempo acaba por torná-lo muito mais interessante. Não é à toa que Kubrick mostra a perspectiva dos diferentes personagens sobre a mesma ação algumas vezes, o que cria diversas potencialidades sobre a composição das imagens, pois alguns detalhes minuciosos vão ganhando novos significados ao se repetirem. Melhor ainda são os recursos de fotografia utilizados no filme, principalmente na cena em que eles estão conversando sobre o plano de forma detalhada e dividem espaço com a escuridão, em certo momentos até são consumidos por ela. Ou ainda a cena em que o atirador se prepara para atirar no cavalo para criar uma distração, ainda melhor é ver os cavalos correrem, criando uma semelhança histórica e simbólica dos primeiros experimentos cinematográficos com os fotogramas de um cavalo correndo.
            
Mais uma vez, o diretor se mostra um eximo criador de cena de ações, a cena em que o boxeador distrai os policias do local é fantástica, tornando o personagem até mesmo mais vigoroso. Uma personagem especial para a narrativa é a esposa do vendedor de tickets, uma femme fatale, que só deseja o dinheiro, chega a ser absurdo, o que algumas poucas palavras podem ocasionar numa situação como a do filme. Seus personagens enlouquecem por dinheiro, completamente. E assim, Kubrick começa a explorar um modo de fazer cinema em que ele pode sobrepor sua visão à visão dos personagens, quando o dinheiro voa pelos ares num encontro catastrófico, percebemos que é tão efêmero quanto a vida de todos. Na verdade até mais, pois somem sem deixar rastros.

            
Portanto, esse filme pode ser considerado um primeiro Kubrick, já contendo uma proposta de narração mais complexa e até elementos técnicos que se tornariam sua marca registrada, como os longos travellings dos personagens por um ambiente cheio. Um filme sobre a ganância, um Noir tenso e realmente poderoso.

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