
Duncan Jones tinha que lidar com um peso gigantesco ao produzir uma adaptação de um dos maiores jogos RPGs online do mundo, com uma história extremamente longa, mas que se baseia completamente na ideia da fantasia medieval, ao qual a trilogia de Peter Jackson já havia realizado de maneira espetacular. Isso não impede de Duncan Jones trazer algo de novo ao gênero, já que a intenção desse filme é um olhar mais apurado sobre todas as raças e no caso desse filme, os Orcs. Narrando a história da invasão dos Orcs para o universo humano (que na verdade é um universo com elfos, anões, etc), de um lado Durotan, um orc que está para ser pai e não concorda com a liderança de Gul’Dan, por usar de uma magia maligna. Do lado dos humanos, o foco fica por Lothar, guerreiro do reino, encenado por Travis Fimmel de maneira pouco criativa, quase se repetindo no seu papel do seriado Vikings e do mago desertor Khadgar, com uma atuação de pouquíssima expressão de Ben Schnetzer.
A apresentação dos seus personagens, principalmente os
humanos, acaba por ser ou caricata demais, ou de difícil afeição. As atuações
no desenrolar do filme são muito fracas, talvez fugindo dessa máxima o Ben Foster,
como mago guardião Medivh e os atores que estavam por trás de todos os efeitos
dos Orcs. Eles realmente conseguiram passar muito mais emoção, terror, amor,
qualquer afeto que os atores que estavam despidos. A única orc que tem uma
atuação extremamente forçada é a única que não foi construída com computação
gráfica, a de Garona, que usa apenas maquiagem. Os efeitos especiais do filme
são espetaculares, quando únicos em tela temos a sensação de estarmos assistindo
a uma animação em 3D das mais bem feitas, cheia de detalhes e com uma grande
potência de cores, porém ao contrapor com os personagens reais perde-se todo o
relevo. Principalmente as locações, sempre mostrando belos castelos de longe,
mas nunca adentramos por completo no universo, os personagens sempre conversam
dentro de casas fechadas, praticamente sem janelas, não explorando de verdade
imersão do espectador no universo. Outro ponto que acaba com o visual do filme
é o tom ascético demais, falta sangue, falta suor, falta sujeira, tudo parece
bonito demais.
Se atendo à história, o enredo é deveras interessante,
sabendo conduzir muito bem os dois lados da batalha, por mais que se tenha um
vilão claro. É por conta de um esforço do diretor que existe empatia para com
as criaturas disformes que são os Orcs, que por mais que perceptivelmente
artificiais conseguem exprimir muita emoção. Já trazendo os problemas da
discriminação racial dentro dos próprios signos dos Orcs, mostrando as questões
possíveis de se abordar em um universo tão grande e expansivo. O filme também
acaba por abrir muitas pontas e potencializa demais a batalha final entre os
dois mundos, mas torna-se anticlimático por esperar-se de uma sequência,
construindo um terceiro ato de menos força, apenas para abrir mais pontas.
Dessa forma, considero Duncan Jones um bom diretor, mas
quis fazer demais e perdeu seu toque, exagerando em alguns efeitos visuais. Uma
história que tinha potencial, mas que se fosse bem adaptada para um filme e não
para uma franquia poderia dar certo. Algo bem comum para os atuais blockbusters
é se perderem tentando construir planos para o futuro durante o enredo atual, o
ideal é construir um filme primeiro. Parece óbvio, mas é o mais que está
acontecendo. Infelizmente, Warcraft não é um bom filme pela sua falta de
imersão e pela expansão do universo ter sido maior que a própria realização do
filme.
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