
Encerrando a trilogia Bourne, que trouxe o que chamaram de verossimilhança à ação, que mais considero ter trazido uma estética diferenciada para o suspense de espionagem. A busca de Jason Bourne por sua real identidade, não puramente seu nome, mas tudo o que o fez se tornar quem ele é no momento, continua aqui, quase de forma ininterrupta.
Talvez não exista nada de novo em relação aos seus filmes
anteriores, já que segue a mesma linha em que a câmera nervosa, com zooms
constantes constroem uma sensação de urgência até mesmo nos diálogos, em que a
câmera sobre os ombros persiste como um voyeur assistindo o maior segredo do
mundo, em certos momentos pode até parecer exagero usar de tantos recursos
cinematográficos para compor essa sensação de fuga, de perseguição onipresente.
Vale ressaltar, também, o esforço e da construção detalhada feita pelo trabalho
de edição, pois, apesar das coreografias serem sensacionais, a edição constrói
de uma forma muito complexa toda as cenas de ação.
É como se a câmera acompanhasse todos os movimentos e os
cortes fossem se compondo às mudanças de ritmos durante a ação. Assim, em uma
cena de luta entre Bourne e um assassino acontecem diversos cortes, mas
diferente de muitos filmes é possível entender o que está acontecendo e ainda a
luta gera uma reação ao público por ter mais relevo. Diga-se de passagem
Greengrass é um grande diretor de ação, um dos poucos que sabe usar de uma
edição ágil sem que torne o filme irritante. Uma parte dos filmes de ação optam
por cenas mais limpas para que se possa entender a ação, o que tem lados
positivos e é de complicada elaboração em cena, mas grande parte dos filmes
preferem fazer como o Greengrass, trazer uma maior elaboração na pós-produção,
poucos realmente conseguem resultados tão poderosos quanto o dele.
Em relação ao enredo, pode-se dizer que a evolução da
história que já havia ocorrido no filme anterior continua aqui, sem perdas de
tempo, vamos descobrindo mais e mais sobre o passado de Bourne, e a revelação
final acaba por ser assustadora e percebe-se cada vez mais a grandiosidade do
Mcguffin bem construído. Pouco importa
exatamente o passado do protagonista, seus flashes são as únicas coisas
relevantes para o desenvolvimento do enredo, por isso não recebemos tudo, mas
pedaços cruciais.
Por fim, Bourne fecha (ou não, já que existe O Legado Bourne
e a mais recente continuação intitulada Jason Bourne) a trilogia sobre a
identidade do melhor, ou pior espião dos EUA. Uma história que transita no meio
dos podres da CIA, com seu tom acinzentado e impõe um ritmo frenético na ação,
nos olhares, no som e no movimento.
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