domingo, 2 de abril de 2017

2007 – O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, EUA) **** (4)



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Encerrando a trilogia Bourne, que trouxe o que chamaram de verossimilhança à ação, que mais considero ter trazido uma estética diferenciada para o suspense de espionagem. A busca de Jason Bourne por sua real identidade, não puramente seu nome, mas tudo o que o fez se tornar quem ele é no momento, continua aqui, quase de forma ininterrupta.
            
Talvez não exista nada de novo em relação aos seus filmes anteriores, já que segue a mesma linha em que a câmera nervosa, com zooms constantes constroem uma sensação de urgência até mesmo nos diálogos, em que a câmera sobre os ombros persiste como um voyeur assistindo o maior segredo do mundo, em certos momentos pode até parecer exagero usar de tantos recursos cinematográficos para compor essa sensação de fuga, de perseguição onipresente. Vale ressaltar, também, o esforço e da construção detalhada feita pelo trabalho de edição, pois, apesar das coreografias serem sensacionais, a edição constrói de uma forma muito complexa toda as cenas de ação.
            
É como se a câmera acompanhasse todos os movimentos e os cortes fossem se compondo às mudanças de ritmos durante a ação. Assim, em uma cena de luta entre Bourne e um assassino acontecem diversos cortes, mas diferente de muitos filmes é possível entender o que está acontecendo e ainda a luta gera uma reação ao público por ter mais relevo. Diga-se de passagem Greengrass é um grande diretor de ação, um dos poucos que sabe usar de uma edição ágil sem que torne o filme irritante. Uma parte dos filmes de ação optam por cenas mais limpas para que se possa entender a ação, o que tem lados positivos e é de complicada elaboração em cena, mas grande parte dos filmes preferem fazer como o Greengrass, trazer uma maior elaboração na pós-produção, poucos realmente conseguem resultados tão poderosos quanto o dele.
            
Em relação ao enredo, pode-se dizer que a evolução da história que já havia ocorrido no filme anterior continua aqui, sem perdas de tempo, vamos descobrindo mais e mais sobre o passado de Bourne, e a revelação final acaba por ser assustadora e percebe-se cada vez mais a grandiosidade do Mcguffin bem construído.  Pouco importa exatamente o passado do protagonista, seus flashes são as únicas coisas relevantes para o desenvolvimento do enredo, por isso não recebemos tudo, mas pedaços cruciais.

            
Por fim, Bourne fecha (ou não, já que existe O Legado Bourne e a mais recente continuação intitulada Jason Bourne) a trilogia sobre a identidade do melhor, ou pior espião dos EUA. Uma história que transita no meio dos podres da CIA, com seu tom acinzentado e impõe um ritmo frenético na ação, nos olhares, no som e no movimento. 

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