
Um filme com tom leve e cômico, tratando de uma história impressionante e com sério pontos importantes que acabam por perder suas forças necessárias para causar uma reação sensível no espectador. Narrando a história de três mulheres negras nos anos 60 que desafiaram as regras morais e preconceituosas da época, atuando como peças principais para o homem chegar à Lua. Katherine Johnson, uma matemática exemplar que protagoniza o filme, Dorothy Vaughan, outra grande matemática mais ligada à área de computação e Mary Jackson, uma jovem engenheiras.
As atuações são bem contundentes, apesar de diversas
vezes soarem caricatas demais. Principalmente, a Mary Jackson, encenada pela
Janelle Monáe, com uma maneira de olhar e se expressar da personagem sempre
soando como uma grande caricatura, ou a comédia nos trejeitos desajeitados de
Katherine Johnson, realizada Taraji P. Henson, que apesar de soar forçada nos
momentos de comédia e de uma tentativa pueril de mostrar sua relação com sua
família, ainda consegue expor mais sua personagem desafiando os profissionais,
e trazendo uma grande carga dramática quando necessário. Já Dorothy Vaughan,
apesar de pouco espaço acaba por ser a com a atuação mais interessante, graças
a leveza e ao mesmo tempo intensidade de Octavia Spencer, e trazendo visões
interessantes sobre o contexto do político da época e o papel dessas três
mulheres negras na sociedade.
A composição de épocas é bem detalhada, usando uma paleta
de cores vivas que constroem a sensação dos anos 60, em contrapartida, o cinza
das paredes dos trabalhos e também de relance algumas movimentações de rua
mostram a dureza da época. Não é à toa que pequenos detalhes na composição dos
cenários mostram as grandes questões da segregação racial nos EUA, como por
exemplo, salas de trabalho separadas, bebedouros separados, e por fim um dos
ambientes de poder da nossa sociedade, o banheiro. O banheiro é o lugar
supostamente que deveríamos nos sentir mais relaxado para, melhor dizer, ser
humano, mas nessa época a segregação até nisso ocorria, banheiros femininos e
banheiros femininos negros. O Diretor foi bem perspicaz de usar pontos de
cotidianos para mostrar o racismo, seja com um café ou com um banheiro. Por isso
mesmo, o momento que Katherine desafia seu patrão por suas condições muita
dificultadas de trabalho, o filme ganha um impacto tremendo, por tudo que o
diretor já havia exposto antes em forma de composição de cenário e época.
Infelizmente, para não perder seu lado leve, o filme
acaba por tornar algumas situações de estranha realização, como a Dorothy
descobrindo o simples erro da NASA (ridiculamente simples), ou o papel de
alguns personagens brancos do filme soarem exagerados demais, não em questão de
racismo, mas numa questão de heroísmo em certo ponto. Portanto, Estrelas Além
do Tempo é um filme divertido e importante, que poderia ter sido mais crítico,
mas quis se manter num certo nível do “feel good movie” (filme para se sentir
bem), provavelmente para apreender um público maior.
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