Esta é a estreia de Sheridan como
diretor, já tendo escrito o roteiro de bons filmes como Sicario, dirigido por
Denis Villenueve, e A Qualquer Custo, dirigido por David Mckenzie. Apesar de
não tão intenso quanto esses outros diretores, sua habilidade narrativa
continua poderosa, além de se adentrar em temas poderosos de certa cultura
norte americana esquecida. Narrando a investigação de uma jovem FBI, aliada de
um caçador local, acerca da morte de uma garota numa reserva indígena no Wyoming.
Ele parece estar explorando questões
contemporâneas dos EUA, em Sicário, a questão do tráfico de drogas, da
fronteira com o México; em A Qualquer Custo explora a questão da pobreza no
Texas e como os problemas imobiliários, assim como de estrutura econômica
afetam a vida dos americanos e neste longa, pincela sobre o esquecimento das
Reservas Indígenas. Dessa forma, sempre procura contar suas histórias de
suspense com um pano de relevância social. Assim, em Terra Selvagem seu motivo
central se encontra na investigação de um possível assassinato, a de uma garota
descendente de indígenas. O longa se inicia com a jovem, Natalie, fugindo de
algo à noite, numa neve espessa e então morrendo por conta do frio. O grande
impasse de todo o enredo se encontra quando Jane, interpretada por Ashley
Olsen, descobre que a partir da autopsia da garota não é possível se considerar
um assassinato já que a causa da morte foi o congelamento dos alvéolos
pulmonares. Portanto, não podendo acionar uma equipe de reforços.
Para investigar esse caso com tão
pouco e sendo uma novata, algo que é muito bem demonstrado pela a interpretação
da atriz, Jane conta com a ajuda do caçador Cory, interpretado com um peso
eterno por Jeremy Renner. Ele é quem encontra o corpo e realiza praticamente todos
os processos de investigação, pois não só conhece o território como poucos,
como conhece todos que vivem na Reserva. Sua dor e sua comoção em relação ao
caso se encontra por uma conexão com o caso. Com isto, temos dois personagens
muito bem elaborados que acabam de cooperar de forma muito dinâmica.
Em sua direção, Sheridan impõe um
ritmo investigativo lento, porém nunca insonso. Construindo o suspense de
maneira simples, sempre que fosse necessário que o espectador se sentisse
acuado pelos acontecimentos, sua direção se orientava pela subjetividade de
Jane, já que ela, por ser novata, se encontra numa posição mais identificável
sensorialmente com o espectador. Em uma sequência específica, na qual Jane se
encontra com alguns dos suspeitos, o diretor alcança um pico de tensão maior
pela não realização de um ato, a espera de uma possível ação irruptiva levada
aos extremos. Algo que já havia realizado em seu roteiro para Sicário, mas
dessa vez, demonstrou uma inspiração grande no Western, na qual a tensão
anterior ao ato de puxar a arma dilatava o tempo de forma exacerbada e
contagiante. Aliando tudo isso a uma bela fotografia que captura muito bem a
sua locação imersa em neve e carregando uma frieza intensa, aliás, a trilha
sonora de Nick Cave e Warren Ellis, com seus corais e notas extensas ajudam na
transformação da ambientação.
Entretanto, acredito que existe uma
escolha narrativa que faz perder um pouco a força de seu enredo. Ao encenar
exatamente o que aconteceu com a personagem de Natalie, de forma ininterrupta,
talvez para que se criasse um ódio mais intenso acerca daquele que o realizou e
tornar uma vontade de vingança justa. Aliás, narrativamente se torna uma
proposta muito manipuladora, além de muito fácil para um filme que se propõe a
uma investigação e a de se fazer suspense, revelar-se por completo. No fim, não
é algo que destrói completamente com o enredo, mas de certo o torna menos do
que poderia ter sido.
Ao fim do filme, a história se
conclui de maneira coesa e criando ainda mais relevância à situação das
Reservas Indígenas. Numa das sequências mais tristes e belas deste filme, o pai
de Natalie desenha uma máscara mortuária, algo comum em sua cultura para
elaborar o luto, porém existe uma indignação, pois ele não sabe como desenhá-la
da maneira correta, já que todos que sabiam morreram. Seu luto aí se torna
maior do que o da sua filha, se torna o luto de toda uma cultura e é por isso
que essa sequência ganha um poder grande, que ultrapassa o motivo individual e
eleva para um campo gigantesco.
Sheridan em sua estreia consegue
produzir um filme muito bem interpretado e com ótimos personagens, abordando o
tema das Reserva Indígenas de maneira bela e relevante – lembrando que seu
motivo principal era o fato investigativo –, por mais que não de forma
completamente aprofundada. Além de novamente produzir um suspense e uma
investigação que prende o espectador por sua cadência, por mais que se
enfraqueça por se revelar demais, mas sempre impressiona pela habilidade em
produzir momentos de não ação intensos.

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