domingo, 11 de março de 2018

2017 – A Torre Negra (Nikolaj Arcel, EUA) ** (2.0)

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Para os leitores de Stephen King que esperaram décadas para uma adaptação de A Torre Negra, o que receberam foi um emaranhado bizarro da narrativa do livro, que muda até mesmo o protagonista do enredo. Aqui não digo do fato de Idris Elba que faz Roland, o pistoleiro, ser negro e no livro, o personagem branco, porém, o filme não o coloca como protagonista. Quem ocupa essa posição é Jake, um jovem que o acompanha de forma ocasional (se é que há acasos nesse universo de King) na sua jornada, inevitavelmente tornando o filme muito mais próximo de uma aventura infanto-juvenil que o que de fato era. Pois bem, antes de já iniciar essas críticas que tem mais a ver com a habilidade da adaptação dos roteiristas, devo salientar seus problemas intrínsecos ao filme.  
            
Jake é um garoto atormentado por seus sonhos, até mesmo frequenta um psicólogo. Assim como também produz desenhos de sonhos, sejam do Pistoleiro, da grande torre ou de alguns experimentos científicos bizarros. Por conta de seu mal comportamento, tentam levá-lo para uma espécie de escola especial, mas ele foge e seguindo os rastros de seu sonho para chegar num outro mundo. Este outro mundo, é o mundo em que o Pistoleiro vive sendo perseguido pelo Homem de Preto, a missão dele é a de impedir que a Torre Negra seja destruída. O filme engrena quando Jake e Roland, o pistoleiro, se unem nessa busca. Idris Elba consegue compor Pistoleiro muito bem, tanto emocionalmente quanto fisicamente, se tornando o único personagem carismático de fato. Já Matthew McConaughey exagera um pouco nos trejeitos e, infelizmente, seu personagem é construído de maneira extremamente esquemática como vilão.
            
Talvez a única coisa que é interessante no filme seja algumas de suas sequências de ação, por conta da vivacidade de Idris Elba, ou ainda a relação que Roland e Jake constroem. Porém, o roteiro é muito mal elaborado, diversos diálogos e situações construídas sem emoção alguma. E por mais que a fotografia do deserto tenho sua beleza natural, a escolha por diversos planos fechados e por vezes ambientações plásticas acabam por retirar tudo aquilo que há de épico e grandioso do enredo. Sim, seu problema maior foi a elaboração de seu roteiro, pois atrofiou a narrativa nesta leva mercadológica infanto-juvenil, tentando assim construir uma jornada do herói para Jake. Tom Taylor até consegue dar conta do recado como ator principal do longa, mas seu personagem acaba ganhando um tom genérico. Este é um dos grandes problemas deste longa, tanto esteticamente quanto narrativamente, ele não consegue fugir de certos moldes comerciais que o tornam genérico.
            
É possível observar as mesmas questões do personagem em todos os protagonistas dessas grandes sagas infanto-juvenis, o adolescente que não se encaixa, que é obrigado a fazer terapia, que tem visões do futuro e uma conexão divina com todo o enredo. Além disso, as outras questões do personagem são excluídas do filme para torna-lo esse protagonista. Assim como o Homem de Preto um vilão qualquer e Roland, por mais que tenha uma presença forte, se torna só mais herói, com sua motivação familiar.
            
Acerca da adaptação devo dizer que as mudanças foram pensadas com o intuito puramente mercadológico e não para passar alguma outra coisa, ou explorar outros temas por cima desta história. O longa mudar seu protagonista e dar essa voz ao Jake para iniciar toda sua jornada não só acabam por diminuir a intensidade do personagem de Roland, como quebra com alguns dos maiores momentos do livro que é a solidão e as perdas do pistoleiro. Outro detalhe importante é a fraca compreensão do que significa a Torre e do que Roland realmente quer com ela, resumindo tudo em “Salve a Torre”, o lema fácil e usado sempre como McGuffin. Além de adiantar alguns fatos dos livros, retirou até mesmo o poder sensorial, pois ele é violento e traz uma mistura agoniante entre Western e Ficção Científica. É por isso que sua estética é genérica, pois ele se limita ao básico do que os olhos podem viver, nunca indo a fundo nas descrições de King.  
            
Portanto, A Torre Negra é uma péssima adaptação, não só porque muda demais sua fonte original, mas por moldá-la a um jogo mercadológico que é terrível e transforma toda originalidade do estilo de Stephen King num tom genérico. De todos os filmes deste do escritor esse é com certeza o pior e o mais decepcionante para os fãs do escritor.

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