
Segundo filme de Cronenberg,
ainda na faculdade. Sua estética aqui continua a mesma do filme anterior,
existe um narrador, nenhum diálogo ocorre em cena, a grande diferença sendo as
cores e talvez uma linearidade maior. Contando a história de Tripod um cientista
que busca desvendar o mistério do desparecimento do seu mentor que fazia uma
pesquisa para descobrir o que havia exterminado as mulheres da raça humana.
O ambiente universitário ainda permeia a narrativa, sem
contar claro as peculiaridades com o corpo que o diretor parece já desenvolver
nesse filme. A substância branca que começa se surgir da orelha de um dos seus
pacientes ou ainda os novos órgãos que começam a brotar no corpo de outro,
órgãos que se desprendem e geram uma dependência psicológica absurda. Existe um
interessante uso de simbologias corporais, como o cientista Tripod (tripé)
lamber seus óculos para enxergar melhor, é como se dissesse que a saliva,
fluído corporal, intensificam sua percepção do mundo. Cronenberg conecta corpo
e mente, algo que foi cindido por um positivismo e pelo transcendentalismo
cartesiano da nossa sociedade.
Essa potência de seu cinema ainda não está tão forte
nesse filme, parece ainda confusa, assim como o próprio protagonista, que é um
observador, é a câmera de seu cinema. Ele está perdido, confuso, não sabe como
proceder sem seu mentor, e caminhando pelo laboratório de paciente para
paciente, até chegar à estranha organização de pedófilos, percebemos no seu
rosto uma sensação de prazer e ao mesmo tempo de não saber o que estar fazendo.
O ritmo do filme o acompanha lento, indo de um lado a outro, sem saber que
direção vai chegar, penso até mesmo que nesse filme existe menos proposito que
em seu primeiro. Usando de uma trilha sonora, em poucos momentos, experimental
e distorcida nos causando agonia, mas nada que irá superar a última sequência,
algo que pode ser visto por certos olhos como antiético para ter sido gravado.
Crimes do Futuro ainda não é o Cronenberg, é um estudante
com diversas ideias na cabeça e não sabe como montá-las em filme coeso. Alguns
traços de peculiaridade e de estilo, mas perdidos à narrativa monótona, como
pode fazer um filme interessante e ao mesmo tempo tão monótono?
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