sábado, 3 de junho de 2017

1970 – Crimes do Futuro (David Cronenberg, Canadá) **1/2 (2.5)

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Segundo filme de Cronenberg, ainda na faculdade. Sua estética aqui continua a mesma do filme anterior, existe um narrador, nenhum diálogo ocorre em cena, a grande diferença sendo as cores e talvez uma linearidade maior. Contando a história de Tripod um cientista que busca desvendar o mistério do desparecimento do seu mentor que fazia uma pesquisa para descobrir o que havia exterminado as mulheres da raça humana.
            
O ambiente universitário ainda permeia a narrativa, sem contar claro as peculiaridades com o corpo que o diretor parece já desenvolver nesse filme. A substância branca que começa se surgir da orelha de um dos seus pacientes ou ainda os novos órgãos que começam a brotar no corpo de outro, órgãos que se desprendem e geram uma dependência psicológica absurda. Existe um interessante uso de simbologias corporais, como o cientista Tripod (tripé) lamber seus óculos para enxergar melhor, é como se dissesse que a saliva, fluído corporal, intensificam sua percepção do mundo. Cronenberg conecta corpo e mente, algo que foi cindido por um positivismo e pelo transcendentalismo cartesiano da nossa sociedade.
            
Essa potência de seu cinema ainda não está tão forte nesse filme, parece ainda confusa, assim como o próprio protagonista, que é um observador, é a câmera de seu cinema. Ele está perdido, confuso, não sabe como proceder sem seu mentor, e caminhando pelo laboratório de paciente para paciente, até chegar à estranha organização de pedófilos, percebemos no seu rosto uma sensação de prazer e ao mesmo tempo de não saber o que estar fazendo. O ritmo do filme o acompanha lento, indo de um lado a outro, sem saber que direção vai chegar, penso até mesmo que nesse filme existe menos proposito que em seu primeiro. Usando de uma trilha sonora, em poucos momentos, experimental e distorcida nos causando agonia, mas nada que irá superar a última sequência, algo que pode ser visto por certos olhos como antiético para ter sido gravado.

            
Crimes do Futuro ainda não é o Cronenberg, é um estudante com diversas ideias na cabeça e não sabe como montá-las em filme coeso. Alguns traços de peculiaridade e de estilo, mas perdidos à narrativa monótona, como pode fazer um filme interessante e ao mesmo tempo tão monótono? 

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