
Servindo-se de uma estética
poderosíssima, A Bruxa do Amor cria uma comédia, com mensagens feministas que
surgem como um sopro nos signos dos filmes exploitations dos anos 60. Narrando
a história de Elaine, uma jovem que muda de cidade após se tornar uma bruxa e
está em busca do amor verdadeiro.
Anna Biller parece ser completamente fissurada pela
estética, soando propositalmente artificial, seu filme (seu segundo filme, o
primeiro, que se chama Viva, também brinca com o mesmo tipo de estética) é como
uma homenagem, ao mesmo tempo que subverte um gênero de filme por inserir
discussões sobre o feminismo. Essa artificialidade se torna até parte cômica,
por exemplo na forma que os diálogos acontecem, até mesmo a maneira em que eles
são dirigidos por Biller. Em um momento especifico, Elaine conversa com sua
vizinha, as duas discutem sobre o que uma mulher deve fazer por um homem para
ter o seu amor, Elaine apresenta argumentados que poderiam ser uma forma de
reprodução de machismo, e a resposta de sua amiga é tão engajada sobre as
questões históricas do patriarcado que soa cômica para o cenário do filme.
Apesar disso, o ponto mais alto de sua narrativa estética são as cores, cores
que explodem e se conectam de maneira poderosa. É uma reconstituição do
Techniocolor, a cena em que Elaine droga um homem e dança para ele, em que os
objetos refletem uma luz que emana as cores do arco-íris, ao passo que ao
retirar lentamente suas roupas pretas, revelam que o avesso delas também contém
as cores do arco-íris. Algo não só visualmente inteligente, mas também muito
simbólico para a personagem que se reveste de bruxa, mas está à procura do
amor, ao passo que também nos assustamos com o real significado dessa explosão
de cores.
Afinal, as várias cores nos afetam de maneira diferente,
mas algumas cores se repetem mais, como o vermelho, obviamente pela sua ambígua
relação entre violência e amor e o roxo que nos remete mais fortemente à morte,
essa última cor é usada de forma bem sútil e inteligente durante o filme.
Infelizmente, a história parece enfraquecer do meio para o final, o foco saí um
pouco de sua personagem principal e recaí sobre um detetive à sua procura. A
história perde um pouco de suas potências, até mesmo na exploração visual. Só
voltando ao poder total em seus momentos finais. Algo de interessante sugerido
no filme é como Elaine se tornou uma bruxa, o líder de seu Coven (grupo de
bruxas) é um homem que parece ter abusado dela sexualmente, talvez sugerindo
sua busca incessante pelo amor em consequência disso, sem contar o resultado de
seus experimentos com o amor são perturbadores. Ela afirma veemente que se os
homens usam dos corpos das mulheres para obter o sexo, ela vai usar dos corpos
deles para obter o amor. Dessa forma, existe um grande poder temático que ronda
toda essa loucura de cores, mortes e comédia.
Portanto, A Bruxa do Amor é um filme para aqueles que
estão dispostos a se aventurar numa verdadeira sátira, que usa de recursos
cinematográfico de diversas épocas, mas sempre como tentativa de emular o
antigo. Perdendo um pouco seu ritmo, quase perdendo seu foco, mas ainda assim
terminando de forma poderosa e se tornando uma comédia criticamente
interessante e visualmente perfeita.
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