terça-feira, 6 de junho de 2017

2016 – A Bruxa do Amor (Anna Biller, EUA) **** (4.0)

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Servindo-se de uma estética poderosíssima, A Bruxa do Amor cria uma comédia, com mensagens feministas que surgem como um sopro nos signos dos filmes exploitations dos anos 60. Narrando a história de Elaine, uma jovem que muda de cidade após se tornar uma bruxa e está em busca do amor verdadeiro.
          
Anna Biller parece ser completamente fissurada pela estética, soando propositalmente artificial, seu filme (seu segundo filme, o primeiro, que se chama Viva, também brinca com o mesmo tipo de estética) é como uma homenagem, ao mesmo tempo que subverte um gênero de filme por inserir discussões sobre o feminismo. Essa artificialidade se torna até parte cômica, por exemplo na forma que os diálogos acontecem, até mesmo a maneira em que eles são dirigidos por Biller. Em um momento especifico, Elaine conversa com sua vizinha, as duas discutem sobre o que uma mulher deve fazer por um homem para ter o seu amor, Elaine apresenta argumentados que poderiam ser uma forma de reprodução de machismo, e a resposta de sua amiga é tão engajada sobre as questões históricas do patriarcado que soa cômica para o cenário do filme. Apesar disso, o ponto mais alto de sua narrativa estética são as cores, cores que explodem e se conectam de maneira poderosa. É uma reconstituição do Techniocolor, a cena em que Elaine droga um homem e dança para ele, em que os objetos refletem uma luz que emana as cores do arco-íris, ao passo que ao retirar lentamente suas roupas pretas, revelam que o avesso delas também contém as cores do arco-íris. Algo não só visualmente inteligente, mas também muito simbólico para a personagem que se reveste de bruxa, mas está à procura do amor, ao passo que também nos assustamos com o real significado dessa explosão de cores.
            
Afinal, as várias cores nos afetam de maneira diferente, mas algumas cores se repetem mais, como o vermelho, obviamente pela sua ambígua relação entre violência e amor e o roxo que nos remete mais fortemente à morte, essa última cor é usada de forma bem sútil e inteligente durante o filme. Infelizmente, a história parece enfraquecer do meio para o final, o foco saí um pouco de sua personagem principal e recaí sobre um detetive à sua procura. A história perde um pouco de suas potências, até mesmo na exploração visual. Só voltando ao poder total em seus momentos finais. Algo de interessante sugerido no filme é como Elaine se tornou uma bruxa, o líder de seu Coven (grupo de bruxas) é um homem que parece ter abusado dela sexualmente, talvez sugerindo sua busca incessante pelo amor em consequência disso, sem contar o resultado de seus experimentos com o amor são perturbadores. Ela afirma veemente que se os homens usam dos corpos das mulheres para obter o sexo, ela vai usar dos corpos deles para obter o amor. Dessa forma, existe um grande poder temático que ronda toda essa loucura de cores, mortes e comédia.

            
Portanto, A Bruxa do Amor é um filme para aqueles que estão dispostos a se aventurar numa verdadeira sátira, que usa de recursos cinematográfico de diversas épocas, mas sempre como tentativa de emular o antigo. Perdendo um pouco seu ritmo, quase perdendo seu foco, mas ainda assim terminando de forma poderosa e se tornando uma comédia criticamente interessante e visualmente perfeita.

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