domingo, 4 de junho de 2017

2016 – Frantz (François Ozon, França e Alemanha) **** (4.0)

 photo 06_zpsbypbsx3e.jpg


Narrado como um filme do cinema clássico, contando uma bela história de amor. Ozon soube usar das cores para criar mais produção de afeto no espectador, assim como a estrutura espelhada de sua trama. Frantz era casado com a bela Anna, porém ele morreu na Primeira Guerra Mundial, um dia em sua lápide encontrou um homem também fazendo suas preces, Adrien, um francês.
            
A opção do uso do preto e branco não só nos ajuda a criar experiência da história melhor com um olhar para o passado, ao mesmo tempo que revela a tristeza daqueles que estão de luto, pois não são apenas os personagens principais que estão em luto, mas o mundo como um todo. Por isso, quando existe uma retomada do passado, em que os momentos de idílio são grandes e a felicidade dos personagens é completamente revitalizada as cenas vão ganhando cor. Quando Adrien e Anna conversam sobre quem ele foi, o que compartilhavam, a cena muda de tom, a princípio com a própria reação corporal deles e depois com as cores, que surgem não forte, mas calmas e belas. Frantz tinha ido estudar na França antes da guerra e conheceu Adrien lá. Dessa forma, ele se torna uma verdadeira recriação do homem morto para família, já que pode evocar memórias do mesmo , ao qual não conheciam, para uma contemplação de uma existência que ainda paira sobre a realidade do pai e mãe de Frantz e de sua mulher.  Um momento especifico e muito belo é quando Adrien toca o violino acompanhado de Anna, e a cena é de tamanho afeto e consciência do poder de uma memória.
            
Mas ele vai embora para a França, principalmente pela dificuldade de continuar num país em que todos o querem morto e repudiam toda sua relação construída com a família alemã, obviamente, com ênfase em Anna. Com seu sumiço e sua relação com Frantz ainda mais exposta, Anna tenta esquece-lo, mas acaba por ir à sua procura. Sua busca a leva a reviver algumas das memórias relatadas, sejam elas verdadeiras ou não, o afeto ainda é poderoso. Quando o encontra conhece sua família e esposa, seu contexto, sua vida real, percebe a igualdade das relações nos dois países, um ódio descomunal por uma guerra que nunca foi deles. As situações começam a se repetir, numa bela história de amor, que se inicia com a morte e com a memória, mas que de fato se inicia com a conexão humana, com uma conexão que é simples e não tem identidade e não tem nação. Este encontros e esta conexão proposta num ambiente de pós-guerra em uma fotografia inspirada no impressionismo (mesmo que lhe falte as cores habituais) são como uma quadro num museus. Ozon esteticamente produziu um história que faz valer-se por suas imagens. 

            
Portanto, Frantz conseguiu ser um bom filme, não tem nenhum grande momento de irrupção de conhecimento ou um enredo com reviravoltas. É a simples história da conexão, contada não só com suas ações, mas também pelas cores, pelas subjetividades impressas nas histórias narradas, pela própria imagem. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário