
Terceiro filme do diretor irlandês,
John Michael McDonagh, que cultiva em seus enredos policiais um humor negro
grande. Seu mais novo filme é uma imersão na comédia policial americana, o
“Buddy Cops” em sua forma mais pura, pode-se dizer que ele chegou em algo
realmente engraçado, mas parece bem menos interessante que suas obras
anteriores. Narrando a história de dois policiais Bob (interpretado por Michael
Peña) e o Terry (interpretado de forma muito cômica por Alexander Skarsgard)
que são corruptos, pouco se importam para qualquer coisa ao não ser o interesse
próprios deles, que é ganhar mais dinheiro.
O senso de qual gênero estava se introduzido foi grande,
assim como o uso do não-senso para produção de comédia, enquanto o Bob serve em
certos momentos como o policial que pensa mais e organiza mais as situações,
até mesmo pelos óculos de grau em contraposição aos óculos escuros de seu
parceiro. Terry adentra na história como o avulso, quase um cego no exercício
policial. Mas a linha que os diferencia é muito pequena, pois a todo momentos
os dois fazem coisas completamente absurdas. Todos os personagens só servem do
enredo para explorar os dois personagens que por vezes fazem sentido e por
vezes não fazem. Usando de uma montagem rápida em alguns momentos e transições
de cenas muito próprias do gênero, o filme consegue se adentrar, de fato, no
estilo “Buddy Cops” não só em conteúdo como também em sua estética. Esse
processo dinâmico de fazer o sentido e não sentido das coisas é expresso até
mesmo pelas piadas, primeiramente a que inicia o filme, em que eles estão para
atropelar um mimico e se perguntam “Será que se atropelarmos um mimico ele vai
fazer som? ”, é algo que faz sentido perguntar, mas não faz sentido algum em
fazê-lo e obviamente eles fazem.
Apesar dessa real diversão existente entre os
protagonistas, o mesmo não pode ser dito dos vilões da história que sempre
aparecem articulando seus planos, tentando criar algum medo. Chega a ser cômico
o vilão ser um aristocrata britânico, com algumas peculiaridades, mas seus
momentos no filme são pouquíssimos memoráveis, ao contrário de seu serviçal
Birdwell, um homem andrógeno com trejeitos interessantes, produzindo uma
persona misteriosa ao mesmo tempo que cômica e levemente fracassada. Ainda
assim, os esforços dos vilões são muito pequenos, fazendo com que o foco cômico
recaia apenas sobre os protagonistas e alguma ou outra situação que se metem.
Existem, até mesmo, certos momentos que pensamos que o humor negro irá se
tornar mais agressivo, ao ponto de destruir o filme e torna-lo preconceituoso,
porém diretor sabe disso e até mesmo usa disso para fazer um suspense cômico.
Em seu fim, ainda existe uma real brincadeira do senso e não-senso em certos
questionamentos filosóficos completamente avulsos aos seus personagens, como
algumas frases de efeitos dos filmes “Buddy Cop”. Mas o que realmente faltou ao
filme foi construir uma relação melhor em seus personagens, até mesmo nos
protagonistas, tudo parecia muito separado, faltou um cuidado maior na
fortificação das relações, seja de Bob com Terry, de Bob com sua família, dos
policiais com os vilões, o todo parece sem força.
Portanto, War on Everyone não é um filme ruim, ele produz
diversas potencialidade cômicas, muito próprias da paródia. Infelizmente,
faltou desenvolver melhor as relações de seus personagens com o todo da
história, é como se aos poucos a história fosse se tornando frágil ao ponto de
se tornar desinteressante.
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