quarta-feira, 28 de junho de 2017

2017 – A Descoberta (Charlie McDowell, EUA) ***1/2 (3.5)

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Filme mais recente da Netflix, uma comédia melancólica que se insere numa narrativa de ficção cientifica, em tons opacos e azulados, lembrando fortemente Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, de Gondry e Kauffman. Porém, o segundo filme de McDowell parece traçar algumas linhas muito interessantes em seu enredo, infelizmente não consegue desenvolve-las. Narrando a história de Will em busca de seu pai, cientista que comprovou cientificamente que existe algo após a morte, e Isla, uma solitária mulher que vaga pelos mesmos caminhos.
            
De início, já se sabe em que universo o filme se passa, um verdadeiro mundo distópico, no qual uma revelação cientifica extremamente mal elaborada, diga-se de passagem, provocou uma onda de suicídios. A estética se propõe a discutir a situação de forma tragicômica, talvez uma abordagem mais leve em uma temática tão absurda. A escolha do elenco foi extremamente certeira, Jason Segel como Will, conhecido por seus bons papéis em comédia, conseguiu muito bem entrar nas situações dramáticas que o filme exigia, Rooney Mara, como Isla, sem tanta ênfase, mas sempre com os melhores momentos do filme e Robert Redford como Thomas, o cientista, que está bem, impondo uma posição de sabedoria desde de início, ao mesmo tempo que surpreso de como os seres humanos reagem as situações. Alguns personagens secundários, porém, sempre com certa importância para a trama como um todo surgem de forma caricata e interessante. Esse universo recheado de caricaturas que fazem os personagens buscarem a pergunta central, por que continuar vivendo esta vida se existe algo depois?
            
O desenrolar das investigações mais aprofundadas de Will sobre o tema acabam por ser um pouco incongruentes, já que no início é dito que foi detectado que algo deixa o corpo o humano após sua morte, mas as investigações se debruçam sobre um corpo morto há algum tempo. Não fica explicito quanto tempo especificamente a alma fica no corpo, ou seja lá o que for. Mas incongruências à parte, o diretor impõe uma importância a vida que vivemos para além da possível pós-morte, o que é extremamente digno. Trazendo uma importância às memórias que temos, ou melhor a todos acontecimentos de nossa vida, sejam bons ou ruins, tudo isso é nossa vida e é apenas daí que podemos tirar algo. Mas para o ser humano é inconcebível que a vida seja o suficiente, que seja só isso. Essa loucura emerge dos personagens em certos momentos. Ao mesmo tempo que tenta construir um pouco de romance, dessa forma, os caminhos traçados pelo filme acabam por não ser desenvolvidos em sua totalidade, aparentam estar incompletos. O fim do filme é um pouco surpreendente, mas a montagem utilizada é completamente expositiva, tornando-a um pouco exagerada e desnecessária. A última cena em si não faz muito sentido, parecendo um movimento em falso do diretor para completar seu filme com uma sensação de felicidade.
            
Portanto, A Descoberta consegue ser um filme divertido e melancólico, com um início extremamente promissor, um desenvolvimento interessante, porém mediano e um fim muito fraco, que pouco faz jus a tudo que foi proposto. Faltando uma consistência maior em como explorar as trilhas abertas, ao mesmo tempo que uma noção maior de sua própria história. 

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