
Filme mais recente da Netflix, uma comédia
melancólica que se insere numa narrativa de ficção cientifica, em tons opacos e
azulados, lembrando fortemente Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, de
Gondry e Kauffman. Porém, o segundo filme de McDowell parece traçar algumas
linhas muito interessantes em seu enredo, infelizmente não consegue
desenvolve-las. Narrando a história de Will em busca de seu pai, cientista que
comprovou cientificamente que existe algo após a morte, e Isla, uma solitária
mulher que vaga pelos mesmos caminhos.
De
início, já se sabe em que universo o filme se passa, um verdadeiro mundo
distópico, no qual uma revelação cientifica extremamente mal elaborada, diga-se
de passagem, provocou uma onda de suicídios. A estética se propõe a discutir a situação de
forma tragicômica, talvez uma abordagem mais leve em uma temática tão absurda. A
escolha do elenco foi extremamente certeira, Jason Segel como Will, conhecido
por seus bons papéis em comédia, conseguiu muito bem entrar nas situações
dramáticas que o filme exigia, Rooney Mara, como Isla, sem tanta ênfase, mas
sempre com os melhores momentos do filme e Robert Redford como Thomas, o
cientista, que está bem, impondo uma posição de sabedoria desde de início, ao
mesmo tempo que surpreso de como os seres humanos reagem as situações. Alguns
personagens secundários, porém, sempre com certa importância para a trama como
um todo surgem de forma caricata e interessante. Esse universo recheado de
caricaturas que fazem os personagens buscarem a pergunta central, por que
continuar vivendo esta vida se existe algo depois?
O
desenrolar das investigações mais aprofundadas de Will sobre o tema acabam por
ser um pouco incongruentes, já que no início é dito que foi detectado que algo
deixa o corpo o humano após sua morte, mas as investigações se debruçam sobre
um corpo morto há algum tempo. Não fica explicito quanto tempo especificamente
a alma fica no corpo, ou seja lá o que for. Mas incongruências à parte, o
diretor impõe uma importância a vida que vivemos para além da possível pós-morte, o que é extremamente digno. Trazendo uma importância às memórias que
temos, ou melhor a todos acontecimentos de nossa vida, sejam bons ou ruins,
tudo isso é nossa vida e é apenas daí que podemos tirar algo. Mas para o ser
humano é inconcebível que a vida seja o suficiente, que seja só isso. Essa
loucura emerge dos personagens em certos momentos. Ao mesmo tempo que tenta
construir um pouco de romance, dessa forma, os caminhos traçados pelo filme
acabam por não ser desenvolvidos em sua totalidade, aparentam estar incompletos.
O fim do filme é um pouco surpreendente, mas a montagem utilizada é
completamente expositiva, tornando-a um pouco exagerada e desnecessária. A
última cena em si não faz muito sentido, parecendo um movimento em falso do
diretor para completar seu filme com uma sensação de felicidade.
Portanto,
A Descoberta consegue ser um filme divertido e melancólico, com um início
extremamente promissor, um desenvolvimento interessante, porém mediano e um fim
muito fraco, que pouco faz jus a tudo que foi proposto. Faltando uma
consistência maior em como explorar as trilhas abertas, ao mesmo tempo que uma
noção maior de sua própria história.
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