segunda-feira, 20 de novembro de 2017

2009 – A Casa do Diabo (Ti West, EUA) ***1/2 (3.5)

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Ti West evoca toda a atmosfera de um filme de terror dos anos 70, não os atualizando, simplesmente construindo uma narrativa com todos os possíveis signos já vistos, impregnando uma nostalgia com qualidade. O enredo se passa nos anos 80, quando uma jovem precisa de dinheiro para conseguir pagar o aluguel de sua casa, assim, de última hora, consegue ficar de babá na casa de uma família durante o eclipse lunar.
            
Deve-se iniciar, primeiramente, pensando este filme muito mais como uma bela homenagem aos filmes que já foram feitos, do que uma tentativa de produzir um filme de terror marcante. Isso não quer dizer que não assuste, pois é tenso e muito bem dirigido. Foi utilizado, até mesmo, filme de 16mm para poder produzir o aspecto granulado da imagem, assim como o uso de cores que remetem aos anos 70/80, além de lançar o filme em VHS, uma raridade. West sabe como mover sua câmera pelo ambiente, construindo belíssimas cenas com o contraste da luz e sombra, além de criar uma forte conjunção entre movimento e som, assim usando dos recursos mais simples para elaborar algo de aterrorizante. A protagonista do filme, Samantha Hughes, é muito bem explorada, desde o início do filme o espectador acompanha seus passos, seu gosto musical, seus problemas cotidianos, tornando-a passível de identificação. São longos momentos em que se introduz a personagem, é praticamente a parte mais importante do filme para o diretor, pois se não der certo, grande parte do envolvimento emocional do espectador se esvai e o terror pouco é alcançado.
            
Porém, isso não quer dizer que não exista importância alguma nos acontecimentos de terror e suspense deste filme. Desde o primeiro momento em que Samantha se encontra na casa e descobre que irá cuidar de uma senhora e não de uma criança, percebe-se que algo está errado. O próprio diálogo dela com o dono da casa parece muito mais um acordo com o diabo que uma entrevista de emprego. Um verdadeiro ponto forte do filme é fazer o medo da personagem se produzir aos poucos, pois se o público acompanha seu estado emocional, ele se tornaria ainda mais imerso no movimento da narrativa. Abrindo caminho para um final que irrompe medo, nojo e impacto, existe uma intensidade das cenas finais que lembram O Massacre da Serra Elétrica de Tobe Hooper (faz bom lembrar depois de tristes sequências e remakes). Já que foi citado um filme que serviu de possível inspiração, o mais homenageado com certeza é o Bebê de Rosemary de Roman Polanski, contendo até mesmo cenas espelhadas. Essas referências fazem convergir e criar uma zona de difícil identificação entre a nostalgia e a homenagem, pensando a nostalgia como a impossibilidade de se fazer algo com o presente e a homenagem como uma ressalva importante ao passado.
            
Dessa forma, Ti West produziu uma homenagem, uma nostalgia, um bom filme de terror, que não é diferente, não atualiza seus temas. O questionamento que se produz ao filme não se encontra em repetir as histórias que já foram contadas, mas sim de repetir a atmosfera, a estética de uma época. De qualquer forma, é extremamente gratificante saber que os grandes filmes ainda influenciam gerações ad infinitum de cineastas. 

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