quinta-feira, 16 de novembro de 2017

2017 – John Wick 2: Um Novo Dia Para Matar (Chad Stahelski, EUA) **** (4.0)

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A sequência deste filme de ação parece ter achado seu tom, o que engradeceu sua continuação. Se no primeiro filme, a tentativa de se levar a sério entrava em conflito com as paródias narrativas, este segundo filme não se leva a sério em nenhum momento, todas opções narrativas e técnicas servem-se apenas para a diversão, uma diversão consciente de si, mas nunca distanciadora. Com esta proposta no âmbito produtivo, em seu enredo, John Wick se vê obrigado a fazer mais um trabalho por conta de um contrato que ainda tinha, o que o leva a entrar numa guerra contra quase todo submundo da máfia.
            
Logo de início, Stahelski enquadra uma projeção dos filmes de Buster Keaton num grande prédio, então parte para uma cena de perseguição, que ao invés de focar-se nas batidas e colisões em um plano aberto, foca nos movimentos dos carros nas ruas. Ao referenciar Keaton, insere a consciência de si e a potência da comédia/ação (muito mais utilizada pelos asiáticos, o que justifica até mesmo a maior liberdade e clareza com que os mesmos produzem suas cenas de ação). Não é que seja cômico ou hilário assistir Keanu Reeves lutar com dez, doze homens, mas sim, saber como produzir a ação de maneira clara, crível e entusiasmante. Keaton, foi um diretor/ator do cinema burlesco, na era do cinema mudo, era um gênio neste quesito, não usava dublês, tinha ideias extremamente perigosas e sempre as colocava em prática em seus filmes, como não havia uma quantidade grande de rolos acessíveis, não podiam desperdiça-las também. Além disso, sem a possibilidade fala, o diretor fazia o visual, o movimento, a ação propriamente dita dizer tudo que o filme precisava contar.
            
Assim, as cenas de ação do filme continuam exuberantes acompanhadas das fotografias Neon, em que o roxo sempre se sobressai. Vale ressaltar ainda, em conjunção à comédia burlesca, a cena poderosa que John Wick enfrenta diversos inimigos numa sala de espelhos, (que, além disso, é uma obra contemporânea em um museu de arte) retomando fortemente a cena da sala de espelhos de O Circo de Chaplin, outro diretor/ator genioso com o cinema de comédia/ação. Não existe uma cena especifica de luta que seja a melhor, todas têm certo frescor e interessam o espectador. Em seu primeiro filme sua motivação era seu carro, aqui neste filme, se intensifica a percepção de um processo ruim de seu passado, tornando tudo mais intenso e abrindo o mundo de mafiosos construídos pelo Diretor e Roterista. Tendo isso em vista, o longa volta ao essencial do cinema de ação, ou seja, constrói cenas complexas de serem realizadas, visualmente poderosas causando ao espectador uma sensação de truque de mágica, “como foi que eles fizeram isto?”. Veja bem, o filme usa pouquíssimo do CGI, tornando tudo recheado de relevo, por mais inverossímil que em certos momentos pareça.
            
Para ressaltar ainda mais suas cenas de ação, tornando-as críveis, porém inusitadas (esse “novo”, essa “surpresa”, constroem um fator cômico, que se confugira propriamente em entusiasmo), como na cena em que todos os assassinos contratados, por toda parte, por todo canto, buscam John Wick. É um momento digno de um musical, em que qualquer um dos figurantes ao seu redor pode começar uma luta, ou melhor, uma dança. A sequência em que Keanu Reeves é perseguido pelo Common, dentro do metrô, os dois trocam tiros com armas acopladas à silenciadores. De forma surpreendente tudo é completamente encoberto, pela música, pelo barulho do ambiente, é como existisse também uma relação forte do seu filme com os musicais.
            
Portanto, John Wick 2, volta com um enredo próximo ao do seu primeiro filme, com poucas alterações, porém aperfeiçoa-se esteticamente. Assumindo suas referências claras e aceitando a potência irônica da ação, a seriedade da luta e loucura da mesma. 

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