segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

2017 – O Bar (Alex de Iglesia, Espanha) **1/2 (2.5)


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O mais recente filme de Alex de Iglesia parece querer provocar certa espécie de misantropia, ao colocar um número restrito de personagens cotidianos num ambiente enclausurado, os forçando a se comunicar. Porém, pouco a pouco o que se vê é um desespero absurdo e até mesmo preconceito. Apesar de sua habilidade em produzir comédias com os trejeitos e detalhes de seus personagens, o desenrolar de sua narrativa acaba por revelar pouca força em seu comentário.
            
Seus personagens são quase estereótipos ambulantes, uma senhora da classe média, severa com as palavras, mas amedrontada na ação, ou ainda o mendigo inebriado que brada citações proféticas da bíblia. Quanto mais se comunicam, mais estes personagens deixam revelar preconceitos terríveis. Veja bem, a situação que eles se encontram é de uma premissa interessante. Durante a manhã num bar, misteriosamente as pessoas do lado de fora desaparecem e aparentemente os arredores do local são fechados, como se aquele bar estivesse sendo restringido.  Quando um homem tenta deixar o bar, ele é baleado por um sniper, dessa forma, as pessoas restantes se veem encurraladas dentro deste pequeno local, sem saber o que está acontecendo.
            
Esse início é interessante, pois os personagens são obrigados a se revelarem um atrás do outro, o diretor até consegue criar certo suspense seguido de um alivio cômico para alguns deles. Porém, quanto mais esses personagens se revelam mais preconceitos e absurdos eles vão se tornando, usando de valores morais duvidosos para selecionar quais membros do grupo irão testar os limites de sua locação e até mesmo os motivos de como foram parar ali. Pouco a pouco, a misantropia total toma conta de todos os sujeitos daquele lugar, os personagens só conseguem agir com seu próprio ego, destituindo qualquer possiblidade de comunhão humana. Ainda mais quando se descobre o motivo de toda situação.
            
É possível dizer que esta é uma comédia sem escrúpulos, sendo guiada completamente pelo escárnio, porém como o desenvolvimento e os diálogos de seus personagens soam sempre exagerados a sua eficácia de produzir o riso começa a ser frágil. O filme acerta de fato quando deve ser nojento, repugnante, seus momentos que carregam essa intenção são certeiros e agoniantes. Iglesia parece ter como base os filmes B de outrora para a produção estética desse seu filme, carregando diversos conceitos dos mesmos, porém esses conceitos antigos acabam por ser tão conservadores quanto seus personagens, até mesmo sua direção sofre de um movimento antiquado, o male-gaze, algo machista e ridículo. Guiando o suspense final em close-ups e movimentos para o corpo de uma de suas personagens, tal personagem que vai ficando praticamente nua durante o longa, devido ao desenrolar das situações.
            
Assim sendo, parece que Iglesia gostaria de fazer uma auto-paródia, demonstrar o terrível ódio do ser humano que já existe neste subgênero. Sua vontade de brincar os filmes B não consegue ser revisionista, não consegue nem mesmo ser o que pretende ser de fato, pois soa forçado, antiquado e em alguns poucos momentos divertido. Uma pena que tenha produzido uma premissa tão interessante para perder-se aos poucos no fraco desenvolvimento e nesse preconceito barato do male-gaze.

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