segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

2017 – Mulher Maravilha (Patty Jenkins, EUA) ***1/2 (3.5)


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Depois do desastre de Batman vs Superman e Esquadrão Suicida, finalmente a Warner acerta em um longa de herói, ou melhor de heroína. A primeira heroína a ter seu filme solo nessa leva de filmes desse subgênero, carregando traços de um classicismo arquetípico. Narrando a história da famosa Mulher-Maravilha, de como retirou-se do paraíso para salvar o mundo.
            
Esse longa tem como intenção apresentar as origens de Diana, como passou a ser a Mulher-Maravillha, usando de uma fotografia da sua protagonista na Primeira Guerra Mundial para adentrar em tal acontecimento. A primeira parte do filme é ambientada em Themyscira, uma ilha escondida por um véu mágico do mundo humano. Nem é necessário explicar por qual motivo as amazonas, habitantes desse local, não desejam adentrar no mundo humano. Visualmente o longa denota isso, enquanto a Ilha tem uma fotografia límpida e é recheada de natureza, o mundo humano é cinzento, como se a pólvora e a poluição já tivessem conquistado os céus. A distinção é tamanha que Steve Trevor, interpretado com certa simpatia por Chris Pine, espião americano, está a fugir de inimigos alemães e acaba atravessando o véu, levando consigo todos aqueles homens vivenciado a violência, é como se abrisse a caixa de pandora.
            
Gal Gadot interpreta com muita avidez a sua personagem, sabiamente dosando um olhar de ingenuidade, com um olhar de severidade, o mais necessário para uma heroína que está por conhecer o mundo. Diana parte com Trevor para a Europa em busca de resolver as questões mundanas, acreditando que Ares, o deus da guerra, fosse quem estava por trás desses acontecimentos. A jornada da personagem é carregada de certo classicismo heroico, realizado de uma maneira extremamente bela. A protagonista se afeta pelo sofrimento de todos durante a guerra. É nesses momentos que certos atos heroicos, porém simples, se fazem e engradecem a personagem. Além disso, sua maneira de se portar nessa sociedade extremamente machista é peculiar, por conta de sua ingenuidade, além de ser um pouco grosseira, já que não controla tão bem suas habilidades. Assim sendo, Trevor e Diana fazem um par divertido e com bastante química.
            
As cenas de ação são bem coreografadas, porém com o uso excessivo de câmera lentas e efeitos especiais em alguns momentos acabam por tornar as lutas menos interessantes. O que melhor impulsiona essas sequências é a trilha sonora que, com música tema composta por Hans Zimmer e Junkie XL, traz uma sensação de urgência e até mesmo de certa glória. Com isso, cada momento na jornada da personagem vai servindo para que ela se engradeça aos olhos do público, com sua sensibilidade, com até mesmo certa pureza, com a potência de sua força. Existe uma sequência em específico que é extremamente mal realizada e está é um dos embates finais, com o principal vilão da história, na qual o exagero no CGI, os planos fechados, a montagem desconexa, produzem uma luta tão ininteligível quanto aquela de Batman vs Superman. Até mesmo a fotografia aqui surge como um entrave, ao querer produzir as cores do vermelho e amarelo nos céus, como uma subjetivação ambiental das cores da heroína, porém fazem tudo se tornar artificial.
            
Sobre os vilões, são terríveis. Todos eles. Esse é um dos pontos mais fracos de todo o enredo. Até certo ponto, é interessante Isabel Maru, interpretada de forma caricata por Elena Anaya, produzir gases letais, já querendo demonstrar os estudos que viriam levar ao terrível holocausto. Porém, tanto Maru quanto o General Ludendorff, interpretado por Danny Huston, são meros estereótipos de vilões. Eles são malvados, porque são, ainda fazem piadas bastante ruins sobre tal fato, talvez para parecerem ainda mais malvados, o que apenas o tornam risíveis.
            
Apesar disso, o longa ainda consegue realizar um bom comentário sobre a violência humana. Trazendo um peso até forte para a guerra com a relação de Diana e os seus ajudantes, arranjados por Trevor, cada um deles é como um retrato das condições daqueles tempos da Primeira Guerra Mundial e apesar de serem superficiais, ainda assim conseguiam reverberar no desenvolvimento da personagem. Diana conhece o mundo em sua pior forma e ainda deseja lutar por ele.
            
Por fim, Mulher-Maravilha foi o primeiro acerto da Warner. Talvez por ter sido um filme que se afaste da produção do universo compartilhado, ou ainda, por ter construído uma jornada com diversão e drama extremamente bem conduzidos por Patty Jenkins. Assim, a DC tem o primeiro passo para a construção de seus filmes no cinema.

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