
Depois do desastre de Batman vs
Superman e Esquadrão Suicida, finalmente a Warner acerta em um longa de herói,
ou melhor de heroína. A primeira heroína a ter seu filme solo nessa leva de
filmes desse subgênero, carregando traços de um classicismo arquetípico.
Narrando a história da famosa Mulher-Maravilha, de como retirou-se do paraíso
para salvar o mundo.
Esse longa tem como intenção
apresentar as origens de Diana, como passou a ser a Mulher-Maravillha, usando de
uma fotografia da sua protagonista na Primeira Guerra Mundial para adentrar em
tal acontecimento. A primeira parte do filme é ambientada em Themyscira, uma
ilha escondida por um véu mágico do mundo humano. Nem é necessário explicar por
qual motivo as amazonas, habitantes desse local, não desejam adentrar no mundo
humano. Visualmente o longa denota isso, enquanto a Ilha tem uma fotografia
límpida e é recheada de natureza, o mundo humano é cinzento, como se a pólvora
e a poluição já tivessem conquistado os céus. A distinção é tamanha que Steve
Trevor, interpretado com certa simpatia por Chris Pine, espião americano, está
a fugir de inimigos alemães e acaba atravessando o véu, levando consigo todos
aqueles homens vivenciado a violência, é como se abrisse a caixa de pandora.
Gal
Gadot interpreta com muita avidez a sua personagem, sabiamente dosando um olhar
de ingenuidade, com um olhar de severidade, o mais necessário para uma heroína
que está por conhecer o mundo. Diana parte com Trevor para a Europa em busca de
resolver as questões mundanas, acreditando que Ares, o deus da guerra, fosse
quem estava por trás desses acontecimentos. A jornada da personagem é carregada
de certo classicismo heroico, realizado de uma maneira extremamente bela. A
protagonista se afeta pelo sofrimento de todos durante a guerra. É nesses
momentos que certos atos heroicos, porém simples, se fazem e engradecem a
personagem. Além disso, sua maneira de se portar nessa sociedade extremamente
machista é peculiar, por conta de sua ingenuidade, além de ser um pouco
grosseira, já que não controla tão bem suas habilidades. Assim sendo, Trevor e
Diana fazem um par divertido e com bastante química.
As
cenas de ação são bem coreografadas, porém com o uso excessivo de câmera lentas
e efeitos especiais em alguns momentos acabam por tornar as lutas menos
interessantes. O que melhor impulsiona essas sequências é a trilha sonora que,
com música tema composta por Hans Zimmer e Junkie XL, traz uma sensação de
urgência e até mesmo de certa glória. Com isso, cada momento na jornada da
personagem vai servindo para que ela se engradeça aos olhos do público, com sua
sensibilidade, com até mesmo certa pureza, com a potência de sua força. Existe
uma sequência em específico que é extremamente mal realizada e está é um dos
embates finais, com o principal vilão da história, na qual o exagero no CGI, os
planos fechados, a montagem desconexa, produzem uma luta tão ininteligível
quanto aquela de Batman vs Superman. Até mesmo a fotografia aqui surge como um
entrave, ao querer produzir as cores do vermelho e amarelo nos céus, como uma
subjetivação ambiental das cores da heroína, porém fazem tudo se tornar
artificial.
Sobre
os vilões, são terríveis. Todos eles. Esse é um dos pontos mais fracos de todo
o enredo. Até certo ponto, é interessante Isabel Maru, interpretada de forma
caricata por Elena Anaya, produzir gases letais, já querendo demonstrar os
estudos que viriam levar ao terrível holocausto. Porém, tanto Maru quanto o
General Ludendorff, interpretado por Danny Huston, são meros estereótipos de
vilões. Eles são malvados, porque são, ainda fazem piadas bastante ruins sobre
tal fato, talvez para parecerem ainda mais malvados, o que apenas o tornam
risíveis.
Apesar
disso, o longa ainda consegue realizar um bom comentário sobre a violência
humana. Trazendo um peso até forte para a guerra com a relação de Diana e os
seus ajudantes, arranjados por Trevor, cada um deles é como um retrato das
condições daqueles tempos da Primeira Guerra Mundial e apesar de serem
superficiais, ainda assim conseguiam reverberar no desenvolvimento da
personagem. Diana conhece o mundo em sua pior forma e ainda deseja lutar por
ele.
Por
fim, Mulher-Maravilha foi o primeiro acerto da Warner. Talvez por ter sido um
filme que se afaste da produção do universo compartilhado, ou ainda, por ter
construído uma jornada com diversão e drama extremamente bem conduzidos por
Patty Jenkins. Assim, a DC tem o primeiro passo para a construção de seus
filmes no cinema.
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