domingo, 31 de dezembro de 2017

2007 – Murder Party (Jeremy Saulnier, EUA) *** (3.0)

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Num momento do longa, uma obra de Pollack é exibida, porém facilmente confundida com os respingos de sangue em cena de crime qualquer. Incidindo sobre esta analogia cômica, em sua estreia, Saulnier produz uma comédia em que o absurdo se mistura ao violento. Narrando a aventura de Chris, um homem um pouco careta, ao ir numa festa inusitada de Halloween.
            
A introdução da narrativa é muito bem elaborada, pois apresenta o cotidiano de seu protagonista por meio de uma montagem rápida, além de seus hábitos próprios de uma pessoa peculiar. A maneira com que descobre sobre a festa é aleatória já que o convite se prende ao seu pé, tornando assim, sua entrada nessa jornada aparentemente trivial. O que encontra no galpão é um grupo de pessoas que transitam entre criminosos, psicopatas, estudantes de arte e drogados, não se sabe se querem produzir um snuff movies (filme que contém cenas de mortes reais) em prol de um ideal artístico, ou se apenas desejam matar por diversão, mas será que é tão diferente assim? Dessa forma, o diretor faz a câmera correr incessantemente entre esses personagens inquietos, com diálogos velozes, por vezes sem qualquer função narrativa, mas que de forma espaçada apresentam comicidade. As fantasias apresentadas divertem também como personagens de Blade Runner e Um Lobisomem Americano em Londres. Por sinal, quem interpreta o sujeito que se veste de lobisomem é Macon Blair, que já atuou em outros longas do diretor e particularmente se sobressai por conseguir transitar muito bem entre causar um espanto real, uma tensão real e uma insanidade cômica e irônica.
            
O que fica mais demarcado neste longa é o seu ótimo uso do gore, as cenas de violência explícita com bastante uso de efeitos práticos servem não só para causar nojo, ou tornar mais relevante o terror de seus personagens, mas principalmente pela comédia, um humor negro extremamente bizarro. O personagem do Macon Blair, por exemplo, tem seu rosto queimado, fazendo com que a máscara de lobo grude em sua pele e o transforma de fato num lobisomem. Sua habilidade prática com o gore é muito bem desenvolvida em seus filmes posteriores, como Ruína Azul e O Quarto Verde. Além deste, outros momentos conseguem implicar algumas metáforas cômicas, mas que não ultrapassem este limite, assim como a possível crítica ao vazio da arte contemporânea. Que apenas se faz nesta comicidade, sem se implicar de fato a fazer um comentário sobre o assunto, porém é algo que paira sobre esse longa até pelo fato dos objetivos irresolvíveis de seus personagens, de qualquer forma, por mais que substancialmente não façam efeito, comicamente e como fator de referência consegue ser muito efetivo. 
            
Por fim, para uma estreia, percebe-se um diretor que se jogou com coragem num estilo divertido e com certa habilidade. Por mais que tenha personagens característicos, a velocidade de seus diálogos e os longos momentos de vazio que eles passam juntos acabam por não os desenvolver, tornando as situações mais absurdas pouco envolventes, mas de certo divertidas. 

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