domingo, 16 de julho de 2017

1977 – Rabid (David Cronenberg, Canadá) ***1/2 (3.5)

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Para muitos Rabid é uma extensão das temáticas propostas por Calafrios, filme anterior de Cronenberg. Pois ainda se têm experimentos com peles e objetos fálicos assassinos, mas o sexo aparece em segundo plano, como se a motivação do sexo não levasse à sua realização. O que parece expressar aqui é carne, o sangue, o contágio do ser humano, a doença que é ser humano.
            
Estrelando uma estrela pornô dos anos 70, a Marylin Chambers, apenas por pensar que está seria mais atrativa ao público, ao passo que também seria mais assustadora, já que casualmente a relacionam com a tentação. Ela interpreta Rose, uma mulher que sofre um acidente de moto e está para morrer, os médicos resolvem fazer uma cirurgia experimental como a única maneira de salva-la, usando um tecido criado artificialmente. Nenhum deles esperava que o experimento desse certo. O que ocorreu foi o inesperado, ela sobreviveu, porém, voltou diferente. Com um desejo insaciável, a princípio, por sexo, logo, mostra sua real face, o sangue. Ela abraça o médico como uma amante, mas extrai seu sangue pelas axilas, mais tarde no filme o que se revela naquele local é uma mistura entre os dois sexos, um buraco e por dentro deste surge uma figura fálica que corta o sujeito, enquanto o buraco suga o sangue. Cronenberg em de suas estéticas mais medonhas, quem iria esperar que algo surgisse das axilas? Pode até ser uma zona erógena para alguns, mas ele escolheu esse local por diversas vezes estar em contato corpo a corpo e não se notar a sua presença.
            
O decorrer do enredo é interessante, enquanto em Calafrios se presencia a destruição de um espaço privado, implodindo em desejo, aqui é o inverso, o público explode em sangue e raiva. Todas as vítimas de Rose, diferente dela, se tornam loucos enraivecidos, que buscam de maneira animalesca mais sangue. O que gera um pandemônio extremamente apocalíptico, em que se vê a maneira que a sociedade lida com o desejo, enxergando-a puramente como um vírus letal que deve ser jogado no lixo. Aqui o desejo insaciável é pelo sangue, que surge a partir do sexo, talvez ainda exista uma relação que Cronenberg queira criar sobre o lado animal do ser humano, o instinto violento presente nele e o desejo, ou melhor libido. Uma conexão entre a pulsão de vida e morte.  Dessa forma, observar tanto Rabid quanto Calafrios como filmes espelhados constroem um sentido ainda mais profundo sobre o que move o ser humano.
            
Dessa forma, Rabid é um bom filme que não consegue ser assustador ou intenso como Calafrios, mas surge como uma nova proposta ao mesmo tema, um novo olhar sobre o desejo. O desejo rejeitado que se expressa numa raiva descontrolável, algo como uma histeria. 

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