terça-feira, 25 de julho de 2017

2016 – Hush (Mike Flanagan, EUA) ***1/2 (3.5)

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Hush é um filme que consegue construir um suspense interessante, não tão intenso quanto o esperado, mas sabendo de diversos recursos audiovisuais para produzir tal efeito. Narrando a história de Maddie, uma escritora de terror surda e muda, que vive numa casa extremamente afastada, em uma noite, sua residência é invadida por um sádico assassino.
            
Usando de uma paleta de cores frias e um ambiente claramente sugestivo para um filme de suspense/horror, já que a floresta em pleno dia já é permeada de galhos tortos e pouca cor. A construção da personagem é muito bem elaborada, pois o diretor coloca o espectador no campo sensorial dela, assim fazendo com que quem assiste entre na experiência da personagem com muita facilidade e se veja imerso na situação dela. Bem como, introduzi-la como uma escritora de terror, fazendo referências bem simples à Stephen King, com alguns livros na estante, percebemos o fascínio dela pela adaptação do ser humano à questões de sobrevivência, algo que ela sabe muito por ter desenvolvido uma deficiência. Seria até mesmo possível pensar na supercompensação proposta por Vygotski, em que o sujeito teria que utilizar de maneira maior outras áreas para suprir as possíveis lacunas que a deficiência promoveu. Dessa forma, quando de forma esperada o homem surge e já a avisa de sua presença, percebe-se o jogo de gato e rato que será produzido. Fazendo com que Maddie use de toda a sua capacidade visual, tátil e imaginativa para conseguir escapar, assim como, adentrando em um de seus já produzidos enredos.
            
Usando de uma trilha sonora que aparece exatamente quando necessário e, com isto, mesclando muito bem todo o silêncio com a música, assim como outros sons diegeticos, barulhos de vidros, flechas e gritos. As atuações são muito convincentes, a atriz que faz Maddie sabe se expressar de maneira muito natural e o seu algoz também emite de forma natural um olhar que só enxerga uma presa. Um outro ponto interessante do roteiro é usar de todas as habilidades da protagonista como forma de sobrevivência da mesma, até mesmo quando ela constrói diversos finais para seu livro, assim podendo pensar em diversas maneiras de escapar diferente, como se estivesse escrevendo seu próprio livro na prática, imaginando seus diversos finais. É quase uma recorrente narrativa de Stephen King, no qual, os horríveis acontecimentos de seu livro se tornam reais.
            
O jogo se estende e se torna um pouco previsível, porém sempre bem conduzido. Um suspense bem feito em que a criadora faz parte da própria criação e tem que sobreviver. Deflagrando assim o Mike Flanagan como um verdadeiro fã de um dos grandes mestres do terror na literatura. 

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