
Hush
é um filme que consegue construir um suspense interessante, não tão intenso
quanto o esperado, mas sabendo de diversos recursos audiovisuais para produzir
tal efeito. Narrando a história de Maddie, uma escritora de terror surda e
muda, que vive numa casa extremamente afastada, em uma noite, sua residência é
invadida por um sádico assassino.
Usando de uma paleta de cores frias
e um ambiente claramente sugestivo para um filme de suspense/horror, já que a
floresta em pleno dia já é permeada de galhos tortos e pouca cor. A construção
da personagem é muito bem elaborada, pois o diretor coloca o espectador no
campo sensorial dela, assim fazendo com que quem assiste entre na experiência
da personagem com muita facilidade e se veja imerso na situação dela. Bem como,
introduzi-la como uma escritora de terror, fazendo referências bem simples à
Stephen King, com alguns livros na estante, percebemos o fascínio dela pela
adaptação do ser humano à questões de sobrevivência, algo que ela sabe muito
por ter desenvolvido uma deficiência. Seria até mesmo possível pensar na
supercompensação proposta por Vygotski, em que o sujeito teria que utilizar de
maneira maior outras áreas para suprir as possíveis lacunas que a deficiência promoveu.
Dessa forma, quando de forma esperada o homem surge e já a avisa de sua
presença, percebe-se o jogo de gato e rato que será produzido. Fazendo com que
Maddie use de toda a sua capacidade visual, tátil e imaginativa para conseguir
escapar, assim como, adentrando em um de seus já produzidos enredos.
Usando de uma trilha sonora que
aparece exatamente quando necessário e, com isto, mesclando muito bem todo o
silêncio com a música, assim como outros sons diegeticos, barulhos de vidros,
flechas e gritos. As atuações são muito convincentes, a atriz que faz Maddie
sabe se expressar de maneira muito natural e o seu algoz também emite de forma
natural um olhar que só enxerga uma presa. Um outro ponto interessante do
roteiro é usar de todas as habilidades da protagonista como forma de
sobrevivência da mesma, até mesmo quando ela constrói diversos finais para seu
livro, assim podendo pensar em diversas maneiras de escapar diferente, como se
estivesse escrevendo seu próprio livro na prática, imaginando seus diversos
finais. É quase uma recorrente narrativa de Stephen King, no qual, os horríveis
acontecimentos de seu livro se tornam reais.
O jogo se estende e se torna um
pouco previsível, porém sempre bem conduzido. Um suspense bem feito em que a
criadora faz parte da própria criação e tem que sobreviver. Deflagrando assim o
Mike Flanagan como um verdadeiro fã de um dos grandes mestres do terror na
literatura.
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