sexta-feira, 7 de julho de 2017

2016 – Minha Vida de Abobrinha (Claude Barras, Suíça) **** (4)

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A animação em stop-motion que por sua mobilidade estranha, seu apuro artesanal e o relevo que contém por si só já são de agrado aos olhos. Minha Vida de Abobrinha é um filme suíço sobre a dureza da infância e ao mesmo tempo da beleza que é ser criança. Narrando a ida de Abobrinha para um orfanato, após sua mãe, que era alcoólatra, morrer.
            
O filme é bem curto, por isso grande parte das coisas acontece de maneira rápida e simples. Abobrinha consegue se inserir muito bem com as outras crianças, a história de cada uma delas é contada, não de forma explicita, mas ainda assim consegue dar um peso grande ao filme. Assim, ver as crianças brincarem pelo filme, cada um com seu universo de problemas, como, por exemplo, Beatrice que todos os dias vai até a porta do Orfanato e chama pela mãe, na esperança que sua mãe tivesse chegado para busca-la. A história dela é uma das mais interessantes, pois sua mãe foi deportada de volta para a África, já demonstrando de forma crítica o viés europeu atual da não aceitação de imigrantes em seu país. Os problemas de cada criança passeiam por diversos temas, de TOC até mesmo abuso sexual, enquanto alguns guardam características do pais como o Jujubes que, por vezes, come sabonete já que sua mãe tinha obsessão patológica por limpeza, já outros preferem esquecer do passado, Alice sofreu abuso do próprio pai, dessa forma, se esconde em sua franja. A estética dos personagens do filme os intensificam como os grandes olhos, todas as crianças do orfanato têm olheiras profundas, enquanto os braços longos e estranhos fazem suas mãos cômicas, e principalmente, instrumentos de mudança da vida deles.

Mas o diretor consegue ser criativo já inserindo um novo membro ao grupo Camille, ela muda completamente o clima do lugar e os une profundamente. A história de Camille antes do orfanato é uma das mais complexas, mas é impressionante a resiliência que ela tem, conseguindo fazer todos à sua volta felizes, principalmente Abobrinha, que encontra nela uma paixão não carnal, mas fraternal, extremamente forte. Acompanhar os esforços do grupo para permanecer unido em meio ao caos individual de cada um é interessante e sempre apresentado de forma lúdica, o que não de forma alguma ameniza os temas, mas simplesmente abrem espaço para o pensamento infantil sobre esses temas, como os meninos que começam a se perguntar o que acontece durante o sexo, “E pinto explode? ”. A realidade e o lúdico unidos, colados. Por fim, o diretor conseguiu produzir um belo filme, curto, simples, mas muito contagiante.

Portanto, Minha Vida de Abobrinha é um bom filme, que consegue reunir temas completamente reais e pesados, em uma abordagem lúdica e simples. Assim como implicitamente falar do país em que se encontra e seus problemas. 

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