
A
animação em stop-motion que por sua mobilidade estranha, seu apuro artesanal e
o relevo que contém por si só já são de agrado aos olhos. Minha Vida de
Abobrinha é um filme suíço sobre a dureza da infância e ao mesmo tempo da
beleza que é ser criança. Narrando a ida de Abobrinha para um orfanato, após
sua mãe, que era alcoólatra, morrer.
O filme é bem curto, por isso grande
parte das coisas acontece de maneira rápida e simples. Abobrinha consegue se
inserir muito bem com as outras crianças, a história de cada uma delas é
contada, não de forma explicita, mas ainda assim consegue dar um peso grande ao
filme. Assim, ver as crianças brincarem pelo filme, cada um com seu universo de
problemas, como, por exemplo, Beatrice que todos os dias vai até a porta do
Orfanato e chama pela mãe, na esperança que sua mãe tivesse chegado para
busca-la. A história dela é uma das mais interessantes, pois sua mãe foi
deportada de volta para a África, já demonstrando de forma crítica o viés
europeu atual da não aceitação de imigrantes em seu país. Os problemas de cada
criança passeiam por diversos temas, de TOC até mesmo abuso sexual, enquanto
alguns guardam características do pais como o Jujubes que, por vezes, come
sabonete já que sua mãe tinha obsessão patológica por limpeza, já outros
preferem esquecer do passado, Alice sofreu abuso do próprio pai, dessa forma,
se esconde em sua franja. A estética dos personagens do filme os intensificam
como os grandes olhos, todas as crianças do orfanato têm olheiras profundas,
enquanto os braços longos e estranhos fazem suas mãos cômicas, e
principalmente, instrumentos de mudança da vida deles.
Mas o diretor consegue ser criativo já inserindo um novo
membro ao grupo Camille, ela muda completamente o clima do lugar e os une
profundamente. A história de Camille antes do orfanato é uma das mais
complexas, mas é impressionante a resiliência que ela tem, conseguindo fazer
todos à sua volta felizes, principalmente Abobrinha, que encontra nela uma
paixão não carnal, mas fraternal, extremamente forte. Acompanhar os esforços do
grupo para permanecer unido em meio ao caos individual de cada um é
interessante e sempre apresentado de forma lúdica, o que não de forma alguma
ameniza os temas, mas simplesmente abrem espaço para o pensamento infantil
sobre esses temas, como os meninos que começam a se perguntar o que acontece
durante o sexo, “E pinto explode? ”. A realidade e o lúdico unidos, colados.
Por fim, o diretor conseguiu produzir um belo filme, curto, simples, mas muito
contagiante.
Portanto, Minha Vida de Abobrinha é um bom filme, que
consegue reunir temas completamente reais e pesados, em uma abordagem lúdica e
simples. Assim como implicitamente falar do país em que se encontra e seus
problemas.
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