segunda-feira, 17 de julho de 2017

2015 – O Mar de Árvores (Gus Van Sant, EUA e Japão) ** (2)

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O mais recente filme de Gus Van Sant é indulgente, sem muito propósito e melodramático. Vaiado em Cannes, ainda existia esperanças de ser um bom filme já que alguns filmes consolidados haviam sido vaiados lá como Coração Selvagem de David Lynch ou ainda Pulp Fiction do Tarantino. Mas ao assisti-lo é um fato que o filme tem problemas, porém nada justifica o ato ads vaias, péssima característica dos festivais de cinema. Narrando a história de Arthur Brennan que decide viajar ao Japão em busca do suicido, após sua esposa morrer.
            
Esteticamente há de se pensar que um diretor como Van Sant poderia fazer muito mais com o cenário da floresta Aokigahara, porém apenas a transformou num local que parecia limitado. De início, pelo menos parecia um cenário, de certo, assustador, por conta de ser conhecida como uma floresta onde muitos suicídios aconteceram, ver alguns corpos ainda restantes lá é intenso, porém ao encontrar com Takumi Nakamura, um homem japonês que havia acabado de cortar seus pulsos, dessa forma a busca de Arthur muda completamente. Os dois partem em uma procissão buscando a saída da floresta, como se a floresta fosse uma expressão do próprio sofrimento deles, os dois tentando se ajudar para escapar dela, enquanto se machucam, caem de morros, sangram. Enquanto dialogam sobre a vida e Deus, ou pelo menos o transcendente, enquanto um é o homem da ciência, o outro é o homem carregado de espiritualidade. A disparidade pouco faz sentido para o filme, existe apenas para evocar uma metafísica que não é fortificada pelo enredo, muito menos pela direção. Os melhores momentos dos filmes são os flashbacks, apesar de inseridos de maneira completamente clichê, as atuações de Naomi Watts como esposa de Arthur, e a atuação de Mathew McCounaghey estão intensas e condizentes. Difícil dizer o mesmo de Ken Watannabe como Nakamura, talvez seu personagem tenha dificultado sua performance.
            
Outro grande problema do filme se encontra em sua trilha sonora, apesar de ter bons momentos com Alt-J, a trilha sonora original é extremamente melodramática, perdendo o tom de algumas cenas e para piorar existe um recurso de roteiro no fim dos flashbacks que é risível, para não dizer pior. Pois consegue ser um anticlímax absurdo que só estende a narrativa de maneira desesperada para causar ou mais emoção ou mais desespero, mas o que de fato causa é um desgosto. Gus Van Sant perdeu a mão neste filme, podendo até ser considerado um de seus piores filmes, pelo exagero e por mais que apelasse ao metafisico que fizesse isso com contundência e não como se estivesse jogando aos espectadores nada mais que rabiscos, trechos de ideias que nunca se concretizam. A poesia que busca na floresta do suicídio não parece se expressar em suas imagens e muito menos em seus personagens, ou melhor a poesia existente na maneira que os sujeitos buscam condições para viver por mais que os sofrimentos deles se tornem um mar de arvores labirínticas.
           
Apesar de ter uma premissa muito interessante e algumas boas atuações, o roteiro é pouco contundente e a direção que não explora o espaço que tem tornam o filme inócuo. Sem contar outros pontos técnicos que deixaram e muito a desejar, sejam a trilha sonora ou até mesmo o próprio o enredo. 

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