
Merantau
é o primeiro filme de Gareth Evans (e segundo em sua carreira) na Indonésia,
diretor irlandês que com apenas quatro filmes já pode ser considerado um dos
grandes diretores do cinema de ação da contemporaneidade. Dirigindo os dois
filmes da franquia The Raid (Operação Invasão e The Raid 2, aqui no Brasil),
seu estilo em que a ação é clara, intensa e por vezes extremamente violenta.
Narrando a história de um jovem chamado Yuda, já treinado na arte do Silat
Harimu (estilo de luta típico da Indonésia), parte em sua busca espiritual por
liberdade, saindo da sua pequena vila agrícola para a cidade grande de Jacarta.
Logo de início, já se vê dois rostos
conhecidos dos filmes de Evans, o primeiro é o próprio Yuda, interpretado por
Iko Uwais, com um cabelo um pouco longo, criando uma jovialidade a seu
personagem, até mesmo ingenuidade. O outro é Eric, que alerta o Yuda sobre o
que ele pode encontrar na cidade, interpretado por Yuyan Rihan (famoso Mad
Dog). Evans já impõe um estilo de disparidades, as cores vivas e naturais da
vila agrícola em contraponto ao cinza e as cores mortas da cidade. Apenas as
luzes artificiais de boates que explodem vida ao mesmo tempo que falsidade,
como se escondessem o verdadeiro horror que se encontra por trás de todo aquele
exagero luminoso. Por mais que tenha recebido um aviso, Yuda, com sua
ingenuidade chega em Jacarta querendo ser herói e começa a interferir em
negócios perigosos, ao salvar uma jovem que estava prestes a ser forçada a
trabalhar como prostituta. Os vilões do enredo, os homens que investem no
sequestro de garotas, são dois americanos, caricatos e estranhos, possuídos por
uma raiva incontrolável, perfeitamente odiáveis e obviamente sem aprofundamento
algum, servindo-se apenas de ponto para o espectador se fixar como linha de
chegada para as batalhas.
O filme ganha um ritmo frenético,
longe da insanidade alcançada em The Raid, mas as cenas de ação vão ficando
cada vez mais intensas, com a câmera acompanhando seus movimentos. Evans ainda
escolhe enquadramentos muito úteis para potencializar a maneira que irá
movimentar a ação, parece até mesmo que ele adapta toda sua direção a como cada
luta vai ocorrer, podendo assim abstrair o máximo delas. Construindo toda essa
loucura a partir do espírito jovem de Yuda, que em seu Merantau tenta mudar o
mundo, enquanto, deve, primeiro entende-lo, tanto a si, quanto ao mundo. Os
últimos momentos, em especial, ganham uma maior intensidade, até mesmo na
violência das lutas, mostrando os personagens em colapso, com seus corpos em um
ritmo quase histérico. Ainda longe do apreço técnico de The Raid, mas é um
ensaio para tal. Já se enxerga um diamante que está para se lapidar, pois todo
o germe potencial se encontra aqui, as lutas velozes e violentas, porém
completamente inteligíveis, assim como um enredo simples, mas cheio de nuances
e intensidades.
Portanto, Merantau é um bom filme,
que apesar de não ter personagens icônicos ou um enredo memorável, consegue
explorar as artes marciais, culminando num afinco do cinema de ação. Gareth
Evans se apresenta em seu ensaio para seus subsequentes filmes, ao passo que
parece descobrir esse novo terreno da Indonésia como o território que produz
uma ação robusta e cheia de relevo, algo que estava em falta no cenário atual.
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