quarta-feira, 5 de julho de 2017

2009 – Merantau (Gareth Evans, Indonésia e Irlanda) ***1/2 (3.5)

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Merantau é o primeiro filme de Gareth Evans (e segundo em sua carreira) na Indonésia, diretor irlandês que com apenas quatro filmes já pode ser considerado um dos grandes diretores do cinema de ação da contemporaneidade. Dirigindo os dois filmes da franquia The Raid (Operação Invasão e The Raid 2, aqui no Brasil), seu estilo em que a ação é clara, intensa e por vezes extremamente violenta. Narrando a história de um jovem chamado Yuda, já treinado na arte do Silat Harimu (estilo de luta típico da Indonésia), parte em sua busca espiritual por liberdade, saindo da sua pequena vila agrícola para a cidade grande de Jacarta.
            
Logo de início, já se vê dois rostos conhecidos dos filmes de Evans, o primeiro é o próprio Yuda, interpretado por Iko Uwais, com um cabelo um pouco longo, criando uma jovialidade a seu personagem, até mesmo ingenuidade. O outro é Eric, que alerta o Yuda sobre o que ele pode encontrar na cidade, interpretado por Yuyan Rihan (famoso Mad Dog). Evans já impõe um estilo de disparidades, as cores vivas e naturais da vila agrícola em contraponto ao cinza e as cores mortas da cidade. Apenas as luzes artificiais de boates que explodem vida ao mesmo tempo que falsidade, como se escondessem o verdadeiro horror que se encontra por trás de todo aquele exagero luminoso. Por mais que tenha recebido um aviso, Yuda, com sua ingenuidade chega em Jacarta querendo ser herói e começa a interferir em negócios perigosos, ao salvar uma jovem que estava prestes a ser forçada a trabalhar como prostituta. Os vilões do enredo, os homens que investem no sequestro de garotas, são dois americanos, caricatos e estranhos, possuídos por uma raiva incontrolável, perfeitamente odiáveis e obviamente sem aprofundamento algum, servindo-se apenas de ponto para o espectador se fixar como linha de chegada para as batalhas.
            
O filme ganha um ritmo frenético, longe da insanidade alcançada em The Raid, mas as cenas de ação vão ficando cada vez mais intensas, com a câmera acompanhando seus movimentos. Evans ainda escolhe enquadramentos muito úteis para potencializar a maneira que irá movimentar a ação, parece até mesmo que ele adapta toda sua direção a como cada luta vai ocorrer, podendo assim abstrair o máximo delas. Construindo toda essa loucura a partir do espírito jovem de Yuda, que em seu Merantau tenta mudar o mundo, enquanto, deve, primeiro entende-lo, tanto a si, quanto ao mundo. Os últimos momentos, em especial, ganham uma maior intensidade, até mesmo na violência das lutas, mostrando os personagens em colapso, com seus corpos em um ritmo quase histérico. Ainda longe do apreço técnico de The Raid, mas é um ensaio para tal. Já se enxerga um diamante que está para se lapidar, pois todo o germe potencial se encontra aqui, as lutas velozes e violentas, porém completamente inteligíveis, assim como um enredo simples, mas cheio de nuances e intensidades.
            
Portanto, Merantau é um bom filme, que apesar de não ter personagens icônicos ou um enredo memorável, consegue explorar as artes marciais, culminando num afinco do cinema de ação. Gareth Evans se apresenta em seu ensaio para seus subsequentes filmes, ao passo que parece descobrir esse novo terreno da Indonésia como o território que produz uma ação robusta e cheia de relevo, algo que estava em falta no cenário atual. 

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